domingo, fevereiro 25, 2007

3. ARMILA D'A ACÇÃO

CARTA ABERTA
À MINISTRA DA EDUCAÇÃO E AOS PROFESSORES

Mão amiga fez-me chegar esta redacção de um aluno:

Transcrição:
" Grupo IV - EXPRESSÃO ESCRITA
Num texto bem estruturado e linguisticamente cuidado, com um mínimo de 10 linhas, exprime a tua opinião sobre o papel da escola na formação de um cidadão.

O papel da escola eu axo que é igual a um papel qualquer de imprensa de A4. E de certeza que é, tem a mesma grossura e tudo. Agora se estão a falar, por exemplo, das folhas de teste que é uma folha A3 duberda ao meio fazendo duas folhas A4, axo melhor que as folhas de teste sejam assim do que só uma folha A4 ou de formato A5. Os testes das professoras metem sempre folhas de formato A4 mas quando são mais as professoras agrafam sempre as folhas e nunca fazem testes com folhas formato A5. Por isso eu axo que as folhas desta escola são iguais às das outras escolas ou de outras empresas."

Gostaria de terminar aqui dizendo apenas: SEM COMENTÁRIOS! Mas não resisto a acrescentar mais alguma coisa.

Pelo que parece trata-se dum aluno do Ensino Primário, quiçá da 3ª Classe; mas mesmo que seja da 4ª tanto faz. Será que se pode exigir (ou pedir) a um aluno, com a idade que este (pela letra e pelo texto) aparenta ter, que saiba o que quer dizer PAPEL, para além daquele objecto onde ele escreve e onde ele lê? Será que um aluno desta idade já tem (ou já deve ter) um vocabulário tão rico que o leve a saber que PAPEL pode ser a língua falada pelos Papéis ( um povo da Guiné-Bissau / a parte que um actor desempenha no teatro ou no cinema / a personagem representada pelo actor ou actriz / as funções ou as atribuições / a maneira de proceder, ou a figura que se faz na sociedade ou na vida pública / dinheiro em notas / título ou documento representativo de valor / escândalo ou cena vergonhosa ou pouco digna que não corresponde à posição da pessoa que o faz ou da família a que pertence; que no plural pode significar o nome dado em conjunto aos passaportes e outros documentos que comprovam a identidade de alguém / o conjunto de documentos que constituem um processo burocrático / panfletos e publicações que se distribuem em quantidade, etc. etc. etc. ?

Será que uma criança desta idade já tem um vocabulário suficientemente rico para saber tudo isto e o mais que a palavra PAPEL, significa? Assim vai o ensino em Portugal, titulado por um ministério que se chama da Educação e antes se devia chamar da INSTRUÇÃO, já que EDUCAÇÃO é outra coisa.
Agora sim: SEM MAIS COMENTÁRIOS. Ponto final.

acs

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

7. ARMILA LINGUÍSTICA

SAMATRA - MALUCAS - FLORIDA


Aquando da epopeia dos Descobrimentos, tocámos os quatro cantos do mundo. A bordo das caravelas, levámos a Língua Portuguesa a todos os sítios por onde passámos, mas pelo extraordinário fenómeno da aculturação (neste caso aculturação linguística) também trouxemos palavras novas. São as palavras de ida e volta; as palavras de "torna- viagem".

Fixemo-nos hoje apenas em três palavras, porque andam na actualidade jornalistica mal grafadas e mal pronunciadas.

Do Oriente, com as especiarias, trouxemos o nome da ilha de SAMATRA, que na nossa literatura e nos escritos oficiais, assumiu laivos de frescura e alegria. Os ingleses, que andavam sempre no nosso encalço, acolheram a palavra e para a adaptarem e pronunciarem, escreveram a primeira sílaba SU, para darem o som de Sa-matra. Em Portugal temos a pedante (!) mania de copiar tudo o que seja estrangeiro (sobretudo inglês e americano) e lá se foi dar ao disparate do erro de escrever e pronunciar SUMATRA, forma anglicizada da primeira, da original, da portuguesa SAMATRA. Digamos pois e escrevamos, SAMATRA.

Outrossim trouxemos do Oriente a palavra com que baptizámos as longínquas ilhas MALUCAS. Pelas mesmas razões os ingleses a grafaram na sua língua para se adaptarem à pronuncia portuguesa com a forma de MO-lucas. Passemos pois a pronunciar e a escrever MALUCAS.

Quanto à FLORIDA, este nome foi-lhe dado pelos espanhóis, por ser uma região florida, e por ter sido descoberta por ocasião da Páscoa Florida. Nós, portugueses, que tambem andámos por aquelas paragens, chamámos-lhe igualmente FLORIDA, termo genuíno e castiço, que os americanos no SEC. XIX, quando se assenhorearam daquela região e dela fizeram mais um estado da sua União, não sabiam como pronunciar bem o nome à espanhola, começaram a chamar-lhe, na pronuncia inglesa, FLÔRIDA (FLÓRIDA). Em Espanha continuam, e muito bem, a dizer FLORIDA, e até os franceses dizem Floride (Flôride). É tempo de, em Portugal, voltarmos a pronunciar e a escrever FLORIDA, pois esta é a forma correcta em Língua Portuguesa.
acs