terça-feira, setembro 25, 2007

8.ARMILA D'A ACÇÃO

EXIJAMOS UMA CPLP ACTIVA

No último número desta Armila, afirmei (e repito) que a CPLP tem estado adormecida e inactiva por culpa dos políticos. Mas a culpa não lhes cabe toda. Os mais culpados somos todos nós, cidadãos dos países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que continuamos a votar sempre nos mesmos partidos, cuja política já conhecemos sobejamente.
Um grande passo deu o Brasil. O Brasil governado por Lula da Silva, parece ter entendido que via CPLP pode entrar mais facilmente nos mercados europeus e africanos, tendo criado, já em Janeiro de 2006 a Embaixada do Brasil junto da CPLP. Ultrapassadas as burocracias normais, a embaixada entrou em funcionamento em Agosto do ano passado, com a chegada do Embaixador Lauro Moreira, um homem da cultura (tal como José Aparecido de Oliveira) mas com uma visão estratégica para a área económica.
É isto que todos os países deveriam fazer. Junto da CPLP é brasileira a única embaixada... Porém a própria CPLP deveria ter uma embaixada junto dos governos de cada país membro da Comunidade, da União Europeia e da ONU. A esses embaixadores, então exigir-se-ía serviço. Dir-me-ão que são mais uns poleiros para alguns. Não vou por aí. Cada embaixador teria que mostrar serviço. Com todos a pensar e trabalhar, a CPLP dinamizar-se-á.
No caso da Embaixada do Brasil, os resultados ainda não estão à vista (o que é normal por ser muito recente) mas parece que o Embaixador Lauro Moreira está a trabalhar a sério.
Iniciou-se ontem, 24.9.07 em Moscovo, a I Semana da Língua Portuguesa, por iniciativa das embaixadas de Portugal e do Brasil na Rússia e do Instituto Camões. Trata-se duma feliz iniciativa. Mas iniciativas como esta podem e devem ser levadas a cabo pela CPLP, pelo que para o efeito terá que se apresentar ao mundo.
Cabe-nos a nós, cidadãos da CPLP, pressionar os nossos governos e a própria CPLP, para que tenhamos uma Comunidade activa, desenvolta, moderna e que APRESENTE RESULTADOS. Agora com a internet, não nos é difícil chegar junto de qualquer ministro de qualquer governo. Quanto mais mensagens electrónicas eles receberem, mais se sentirão pressionados e obrigados a fazer qualquer coisa.

acs

terça-feira, setembro 18, 2007

7. ARMILA D'A ACÇÃO

A TRISTE SINA DA CPLP
(Ou a incomptetência dos políticos)

Fundada em 17 de Julho de 1996 a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pela sua inoperância parece que não existe e quase é desconhecida pelos povos dos países que a integram.
A sua fundação deve-se ao denodo de José Aparecido de Oliveira, notàvel figura do pensamento brasileiro, que levou os políticos dos países lusófonos a curvarem-se perante a força e a evidência dos seus argumentos. Aparecido de Oliveira, que conheci em Lisboa e com quem mantive agradáveis conversas, afirmou que "a comunidade sempre existiu, faltava apenas dar-lhe forma". O certo é que se deu forma jurídica aos sentimentos dos povos lusófonos, mas a Comunidade, enquanto instituição, ainda não saiu da cepa-torta, estando adormecida à sombra de uma qualquer bananeira.
O poeta e cantor brasileiro Caetano Veloso escreve (e canta) nos seus versos: "Gosto de sentir a minha língua a roçar/A Língua de Camões". É isto que todos nós, portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdeanos, timorenses e santomenses sentimos. Até agora nenhum Secretário-Executivo da CPLP o entendeu. Nem mesmo a brasileira Dulce Pereira que em 2000 foi nomeada para o cargo na III Cimeira da Comunidade. Afirmou então Dulce Pereira que pertencia "a uma geração que travou batalhas duras". Com estas palavras lançou um sopro de esperança. Mas que fez ela? ZERO.
Quero aqui recoradar (em amiga homenagem à sua memória) o professor, o intlectual, o escritor, o diplomata português José Augusto Seabra que em conferência na Sociedade da Língua Portuguesa, a propósito dos 40 anos desta instituição afirmou em 1989: "Num contexto em que a afirmação das identidades e das altertidades culturais se acentua, como resistência à hegemonia do inglês que as língiuas latinas esboçam, é importante que sejamos capazes de promover insistentemente o uso do Português nas nossas relações internacionais, quer bilaterais, quer multilaterais, a todos os níveis, desde as relações culturais e científicas, sociais e mais propriamente políticas".
Neste segundo semestre de 2007, como se sabe, cabe a Portugal a presidência da União Europeia. Em boa hora a Presidência Portuguesa incluiu na agenda duas cimeiras. Uma com o Brasil que já se realizou e outra com África que ocorrerá em Dezembro. Para ambas as cimeiras, a CPLP foi esquecida. A culpa é dos políticos portugueses e do actual Secretário-Executivo da CPLP que não foi capaz de levantar a voz e afirmar categoricamente que a CPLP também devia participar (por direito próprio)nas cimeiras, ou então exigir uma cimeira específica com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Faz todo o sentido um acordo entre a CPLP e a União Europeia, pois a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para além da defesa e divulgação da Língua Portuguesa, tem outros objectivos: os direitos nas áreas social, cultural, económica, de cidadania e de participação política. Aliás, na Cimeira de Maputo, a III da CPLP, foi aprovado o Estatuto da Cidadania Lusófona. Na prática, a aprovação deste estatuto deu em quê? Em nada. Aqui está um exemplo do nada que foi feito pelos Secretários-Executivos da CPLP que deviam fazer passar para a legislação interna de cada país a letra e a forma do então acordado. Pelos vistos as cimeiras só servem para discursos bonitos e exibição dos políticos. Mais nada.
Relativamente à União Europeia, estabelecido um protocolo, todos teriam a ganhar, pelo menos na área económica e na área da cidadania.
Urge pois, pôr a CPLP nas mãos de pessoas competentes que lhe emprestem dinamismo e acção .

acs

quinta-feira, setembro 13, 2007

6. ARMILA D'A ACÇÃO

MEMÓRIA

ALBERTO LACERDA
O GRANDE ESQUECIDO

Poeta português de origem moçambicana, nascido na Ilha de Moçambique em 29 de Setembro de 1928, Alberto Lacerda faleceu no passado dia 26 de Agosto na cidade de Londres, onde vivia (solitário e apátrida) desde 1951, ano em que se estreou com obra em volume - "Poemas" (Cadernos de Poesia nº 8-II série). Em 1955 edita em Londres (em edição bilingue, com tradução de Arthur Waley) o livro 77 Poemas.
Alberto Lacerda foi (e é, pois a sua obra aí está) um dos maiores poetas da literatura em Língua Portuguesa e, também, um dos mais ignorados. Eugénio Lisboa disse, um dia, que Alberto Lacerda "é um poeta que celebra, em cada curva do seu discurso, o esplendor da língua e o fulgor da vida". Esta frase é, talvez a que melhor sintetiza o grande poeta.
Lembremos que ele considerava a Língua Portuguesa e a cidade de Londres como suas "pátrias". No livro Exílio (1963) dizia: "Esta língua que eu amo/Com seu bárbaro lanho/Seu mel/Seu helénico sal/E azeitona/Esta limpidez/Que se nimba/De surda/Quanta vez/Esta maravilha/Assassinadíssima/Por quase todos que a falam".
Esteve no Brasil (1959-1960) onde proferiu conferências em várias universidades, instalou-se nos Estados Unidos entre 1967 e 1969, onde foi professor nas universidades de Austin, Columbia e Boston, sempre com passagens regulares por Portugal. Londres era a sua cidade de eleição, onde viveu a maior parte da sua vida.
Alberto Lacerda conviveu com grandes nomes da intlectualidade literária mundial, como Ruy Cinatti, Raul de Carvalho, Luis Amaro, António Ramos Rosa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Marianne Moore, Thom Gun, David Hockney, Edith Stilwell ou T.S. Elliot.
Foi notável a sua entrevista, no início deste verão à RTP2 (Válha-nos a RTP2!...) Foi talvez a sua última entrevista. A notícia da sua morte passou ao lado da generalidade dos orgãos de informação... Mas a sua obra aí está. Dela destaco: Oferenda I e II, Elegias de Londres, Meio-Dia, Exílio, Sonetos, Lisboa e os já citados 77 Poemas.

acs