terça-feira, outubro 23, 2007

11. ARMILA D'A ACÇÃO

POR UMA CPLP COM VIDA

ABREU E LIMA

Ao Capitão Abreu e Lima
Concedram estranha honra:
Ele foi convidado a ver
Fuzilar o pai, Padre Roma.

O Capitão Abreu e Lima
Ante a distinção concedida
Se foi de quem a concedeu:
O rei e o vice da Baía.

Se foi para a Venezuela,
Vestir a farda de Bolívar:
Não era a sua, mas pregava
Uma independência com vida. (1)

Ao reler este poema do grande poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto, dei comigo a conversar com os meus botões, caindo de novo, na temática da CPLP. Os poetas são assim: permitem-nos divagar e fazer comparações.
Aquando dos Descobrimentos Portugueses, rasgámos auto-estradas mar adentro e chegámos a tudo o que era sítio. Que teria escrito o Padre António Vieira se não tivessemos descoberto o Brasil? Seguramente que grande parte da sua obra teria sido muito diferente... Unindo povos de África, da Ásia e da América, num transplante e fusão de culturas, que tendo por elo o elemento cultural português, foi o mais notável fenómeno antropológico que o mundo já conheceu. A isto Gilberto Freire chamou o luso-tropicalismo, teoria antropossociológica hoje transformada em matéria universitária.
É este património RIQUÍSSIMO E ÚNICO que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem de preservar. Não me canso, pois, de dizer que nos cabe a nós cidadãos (É A TAL COISA DOS DIREITOS DE CIDADANIA DE QUE TANTO NOS ESQUECEMOS) forçar a tecla e obrigar os políticos, que nós elegemos, e os homens que lideram a CPLP, a levar a cabo acções concretas, nas áreas cultural, social, económica e mesmo política...
A CPLP está estatutariamente obrigada a dar continuidade a este património comum e que pertence a todos os países que a integram. No mundo globalizado em que vivemos (e que se iniciou com os Descobrimentos Portugueses) outra coisa não se entende.
Não nos forcem os políticos, a ser um novo Capitão Abreu Lima, obrigando-nos a vestir a farda de Bolívar, para defendermos a vida da CPLP.

acs.

(1) JOÃO CABRAL DE MELO NETO, in A ESCOLA DAS FACAS

terça-feira, outubro 16, 2007

10. ARMILA D'A ACÇÃO

OS PORQUÊS DA CPLP

Em entrevista ao Diário de Notícias de 20.VII.1986, Agostinho da Silva afirmou: " Ou os homens de Língua Portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escuridão em que vive quase toda a gente - escravidão de várias espécies - e as liberta para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais do que humana, ou, então, o papel dos homens de Língua Portuguesa vai ser muito restrito no mundo. E é capaz de aparecer alguém a tomar esse encargo. Gostaria muito que fossem homens de Língua Portuguesa a terem uma mensagem que fosse válida para a Europa, porque, coitada da Europa!, não tem mais nenhuma mensagem para dar".
O certo é que, como Agostinho da Silva profetizava, o homem capaz de "tomar esse encargo" apareceu. José Aparecido de Oliveira, é o seu nome. Agarrando na ideia há muito teorizada por intlectuais como o luso-tropicalista Gilberto Freire, Almerindo Lessa, Darcy Ribeiro ou Adriano Moreira, José Aparecido de Oliveira tomou nas mãos a tarefa de pôr de pé a Comunidade dos Países de Língua portuguesa.
Aquilo que aprioristicamente seria fácil, tornou-se em missão difícil e espinhosa para este homem teimoso (da boa cepa transmontana) que topando em quase todas as esquinas com escolhos de toda a ordem, nunca soube aceitar um NÃO. Este homem brasileiro, que gosta de dizer que é "um português nascido no Brasil", de cada dificuldade fez um alento, do alento uma determinação, da determinação uma convicção e da convicção uma persuasão. Persuadidos que foram os políticos dos países de Língua Portuguesa, deu-se forma à ideia de José Aparecido de Oliveira e institucionalizou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Deveria ter sido Aparecido de Oliveira - "uma verdadeira máquina de fazer amigos", no dizer de José Alberto Braga (1), a dar continuidade ao projecto, para que a CPLP arrancasse com pujança. mas os políticos, não lho permitiram: "Lançou a CPLP (...)Trucidaram-lhe a oportunidade de conduzir o projecto", afirmou António Valdemar(1), talvez porque como diz Alípio de Freitas ele "tem a obstinação e o sentido de urgência da História" (1).
É a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um instrumento único para o desenvolvimento social, económico e mesmo político dos países da CPLP, já que assenta em valores culturais e está alicerçada no melhor de todos eles: a Língua Portuguesa, como elemento de unidade e entendimento. Para tal torna-se imperativo confiar os destinos da CPLP à dedicação de pessoas que sejam capazes de a pôr em funcionamento, sem a mesquinhez das tricas políticas.
E não tenhamos receio de dizer as verdades: Se, desde o início, a CPLP tivesse funcionado como deveria, em todas as vertentes - linguística, cultural, social e económica, a Guiné-Bisssau, não estaria como hoje está...
acs

(1) JOSÉ APARECIDO-o homem que cravou uma lança na lua-Tinova Editora-Lisboa-1999

quinta-feira, outubro 11, 2007

9. ARMILA D'A ACÇÃO

AVANTE COM A CPLP
...Ainda e Teimosamente
A Língua Portuguesa que, no dizer de Francisco Rodrigues Lobo, " para falar é engraçada com um modo senhoril; para cantar é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar é substanciosa, com uma gravidade que autoriza as razões e as sentenças; para escrever cartas, nem tem infinita cópia que dane, nem brevidade estéril que a limite; para a História, nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias" (1), a Língua Portuguesa, dizia, tornou-se ao longo dos séculos, de entre todas as línguas que por transplantação se espalharam pelo mundo, a que melhor soube ser o elo aglutinador da identidade cultural e nacional dos países nascidos da colonização portuguesa.
"A língua é um dos elementos da nacionalidade; pugnar pela vernaculidade daquela é pugnar pela autonomia desta"(2), dizia o grande linguista José Leite de Vasconcelos, como que em resposta a Cícero, quando este afirmava interrogativamente: "Que força maior pode separar e congregar os homens do que a língua?"(2).
A Língua Portuguesa é o melhor e mais valioso elemento da nossa cultura comum. Enquanto sobre a terra houver um único homem que fale português, a Língua Portuguesa está viva.
Temos, no entanto, que estar atentos aos graves atropelos e à influência hegemónica da língua inglesa, pois ao deixarmo-nos influenciar pelo império da língua inglesa, corremos o risco de nos acontecer o mesmo que ao Latim, que é hoje uma língua morta, por se ter deixado influenciar, em demasia, por outras línguas locais.
Afirmei há tempos que "aquando dos Descobrimentos Portugueses, a Língua Portuguesa viajou a bordo das caravelas e aportou em tudo o que era sítio nos cinco continentes. Pelo fenómeno da aculturação influenciámos várias línguas. Se é verdade que a Língua Portuguesa tem em Portugal a sua Pátria, ela hoje não é propriedade exclusiva dos portugueses, pertence aos povos de todos os países lusófonos". (3)
Isso mesmo o terá entendido o presidente dos E.U.A., John Kennedy, quando premonitoriamente, em 1962, na sua Mensagem ao Congresso, considerou ser o Português uma das línguas mais importantes do mundo moderno. Estranho é o facto dos nossos políticos (por pedantice barata), nos areópagos internacionais, habitualmente se fazerem entender utilizando uma língua que lhes é estranha.
Cabe-nos pois, a todos, defender e difundir a Língua Portuguesa em todo o mundo (e no nosso dia-a-dia), até porque ela é, a um só tempo, o alicerce e o elo, a raiz e o tronco da Comuniodade dos Países de Língua Portuguesa.

acs

(1) CORTE NA ALDEIA - Francisco Rodrigues Lobo - Lisboa - 1619
(2) QUESTÕES DA LÍNGUA PÁTRIA (vol.1-2ª Edição)-Xavier Fernandes - Edição Álvaro Pinto (Ocidente)-Lisboa s/d-SLP cota 1102
(3) A UNIVERSALIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA - António Correia Samouco - Comunicação ao Congresso Internacional "LUSOFONIA A HAVER", Lisboa 25-11-99