POETAS DA CPLP - GUINÉ (BISSAU)
NÓS SOMOS
Nós somos
aqueles que dia e noite
fazem com suas mãos
os alicerces da vida.
Nós somos
lágrimas, suor e sangue
que desafiando mortes e séculos...
fundiram esperanças e fé!
Nós somos irmãos
o florir, a madrugada
e o verde selvagem dos maquis
que em noites sombrias
trazem a canção da vida.
Nós somos
dança, música e ritmo
que em anos 40
sobreviveram à tempestade da fome.
Nós somos irmãos
terra, chuva e arado
que alimentam vidas
e alicerçam o Homem!
Nós somos
o tantã da verdade
em místicas noites do fanado
nós somos irmãos
a certeza e o porvir!
Helder Proença
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
ARMILA PRIMEIRA
POETAS DA CPLP - SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
CAETANO COSTA ALEGRE
(1864-1890)
Caetano da Costa Alegre nasceu em S. Tomé em 1864 e veio a falecer em Portugal, na vila de Alcobaça em 1890, três anos depois de se ter matriculado no curso de Medicina na Escola Naval.
O seu único livro, "Versos", foi editado postumamente em 1916 e teve duas reedições em 1950 e 1951. Deixou obras dispersas no Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro (1893), na História Ethnográphica da Ilha de S. Tomé (1895) e no Correio de África já postumamente (1921-1923).
"Versos" é um conjunto de 100 poemas seleccionados do seu espólio pelo seu amigo, o jornalista Artur da Cruz Magalhães.
A poesia de Costa Alegre é marcada por um estilo límpido e uma espontaneidade que lhe surge com musicalidade e que deambula entre o romântico, o simbolismo e o parnasianismo, pela busca de objectividade das emoções.
Costa Alegre foi, pode dizer-se sem qualquer risco de erro, o pioneiro da Poesia da Negritude. Inicialmente indicia a formulação (ainda incipiente) das diferenças rácicas, contrapondo os valores da cor negra, às características da cor branca. Mais tarde evolui para a exaltação e glorificação ufana dos poetas da negritude, fazendo da etnicidade a marca das literaturas africanas de Língua Portuguesa, como essência diferenciadora: «A minha cor é negra,/ Indica luto e pena/ É luz, alegra, / A tua cor é morena. / É negra a minha raça, / A tua raça é branca / (...) / Porém, brilhante e pura, / Talvez seja a manhã / Irmã da noite escura! / Serás tu minha irmã?!...»
Costa Alegre, não era racista. Defendia a convivência harmoniosa entre negros, brancos e mestiços. Não se sentia superior nem inferior. Sentia, isso sim, uma certa segregação que então ainda se fazia sentir. É um dos maiores valores das literaturas lusófonas.
acs
domingo, fevereiro 01, 2009
ARMILA LITERÁRIA
POETAS DA CPLP - SÃO TOMÉ E PRINCIPE
VISÃO
Vi-te passar, longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante;
Ias de luto, doce tutinegra,
E o teu aspecto pesaroso e triste
Prendeu minha alma, sedutora negra;
Depois , cativa de invisível laço,
(O teu encanto, a que ninguém resiste)
Foi-te seguindo o pequenino passo
Até que o vulto gracioso e lindo
Desapareceu longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante.
Caetano Costa Alegre
VISÃO
Vi-te passar, longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante;
Ias de luto, doce tutinegra,
E o teu aspecto pesaroso e triste
Prendeu minha alma, sedutora negra;
Depois , cativa de invisível laço,
(O teu encanto, a que ninguém resiste)
Foi-te seguindo o pequenino passo
Até que o vulto gracioso e lindo
Desapareceu longe de mim, distante,
Como uma estátua de ébano ambulante.
Caetano Costa Alegre
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