OITO SÉCULOS DE POESIA
2009, todos o sabemos, foi um ano horrível. Mas contrariamente ao que muitos dizem, não é um ano para esquecer. Importa recordá-lo para que se evitem os mesmos erros...
Em Portugal, porém, já no seu final, 2009 deu-nos uma lufada de vitalidade, com a edição de uma das maiores antologias do mundo. Dois poetas da nova geração, Jorge Reis-Sá (nascido em 1977) e Rui Lage (nascido em 1975) arregaçaram as mangas e meteram mãos à obra e compilaram em notável antologia 267 poetas portugueses em mais de 2000 poemas. A apresentação é feita por ordem cronológica segundo a data de nascimento dos autores e a data de publicação dos poemas. Esta obra de fôlego é-nos apresentada num único volume de 2000 páginas e cobre oito séculos da nossa Literatura poética (do Séc. XIII ao Séc. XXI «fim de 2007»). Começa com uma Cantiga de Amor de Paio Soares de Taveirós (o primeiro texto poético em Língua Portuguesa) e termina com um poema de Pedro Mexia publicado em 2007.
Dizem os organizadores da antologia que procuraram que ela fosse "o mais possível representativa, que abrangesse tantas tendências, sensibilidades e credos poéticos, quantos conseguíssemos divisar". Como em todos os trabalhos de selecção o critério adoptado leva sempre a que alguns fiquem excluídos, mas, no prefácio à obra Vasco Graça Moura adverte logo que "nenhum poeta importante ficou à porta". Aliás os organizadores desta obra superlativa, fazem questão de, a propósito, citar Mário Cesariny, um poeta fundamental do Séc. XX, quando disse que todas as antologias devem ser "tendenciosíssimas", querendo dizer que a parcialidade é sempre mais honesta que a pseudo-imparcialidade, tantas vezes vendida.
Eis pois a boa nova:
POEMAS PORTUGUESES. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI / Selecção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage / Prefácio de Vasco Graça Moura - Edição: Porto Editora.
Que 2010 nos traga outras boas novas do género vindas de todos os quadrantes do Mundo Lusófono.
acs