terça-feira, setembro 18, 2007

7. ARMILA D'A ACÇÃO

A TRISTE SINA DA CPLP
(Ou a incomptetência dos políticos)

Fundada em 17 de Julho de 1996 a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pela sua inoperância parece que não existe e quase é desconhecida pelos povos dos países que a integram.
A sua fundação deve-se ao denodo de José Aparecido de Oliveira, notàvel figura do pensamento brasileiro, que levou os políticos dos países lusófonos a curvarem-se perante a força e a evidência dos seus argumentos. Aparecido de Oliveira, que conheci em Lisboa e com quem mantive agradáveis conversas, afirmou que "a comunidade sempre existiu, faltava apenas dar-lhe forma". O certo é que se deu forma jurídica aos sentimentos dos povos lusófonos, mas a Comunidade, enquanto instituição, ainda não saiu da cepa-torta, estando adormecida à sombra de uma qualquer bananeira.
O poeta e cantor brasileiro Caetano Veloso escreve (e canta) nos seus versos: "Gosto de sentir a minha língua a roçar/A Língua de Camões". É isto que todos nós, portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdeanos, timorenses e santomenses sentimos. Até agora nenhum Secretário-Executivo da CPLP o entendeu. Nem mesmo a brasileira Dulce Pereira que em 2000 foi nomeada para o cargo na III Cimeira da Comunidade. Afirmou então Dulce Pereira que pertencia "a uma geração que travou batalhas duras". Com estas palavras lançou um sopro de esperança. Mas que fez ela? ZERO.
Quero aqui recoradar (em amiga homenagem à sua memória) o professor, o intlectual, o escritor, o diplomata português José Augusto Seabra que em conferência na Sociedade da Língua Portuguesa, a propósito dos 40 anos desta instituição afirmou em 1989: "Num contexto em que a afirmação das identidades e das altertidades culturais se acentua, como resistência à hegemonia do inglês que as língiuas latinas esboçam, é importante que sejamos capazes de promover insistentemente o uso do Português nas nossas relações internacionais, quer bilaterais, quer multilaterais, a todos os níveis, desde as relações culturais e científicas, sociais e mais propriamente políticas".
Neste segundo semestre de 2007, como se sabe, cabe a Portugal a presidência da União Europeia. Em boa hora a Presidência Portuguesa incluiu na agenda duas cimeiras. Uma com o Brasil que já se realizou e outra com África que ocorrerá em Dezembro. Para ambas as cimeiras, a CPLP foi esquecida. A culpa é dos políticos portugueses e do actual Secretário-Executivo da CPLP que não foi capaz de levantar a voz e afirmar categoricamente que a CPLP também devia participar (por direito próprio)nas cimeiras, ou então exigir uma cimeira específica com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Faz todo o sentido um acordo entre a CPLP e a União Europeia, pois a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para além da defesa e divulgação da Língua Portuguesa, tem outros objectivos: os direitos nas áreas social, cultural, económica, de cidadania e de participação política. Aliás, na Cimeira de Maputo, a III da CPLP, foi aprovado o Estatuto da Cidadania Lusófona. Na prática, a aprovação deste estatuto deu em quê? Em nada. Aqui está um exemplo do nada que foi feito pelos Secretários-Executivos da CPLP que deviam fazer passar para a legislação interna de cada país a letra e a forma do então acordado. Pelos vistos as cimeiras só servem para discursos bonitos e exibição dos políticos. Mais nada.
Relativamente à União Europeia, estabelecido um protocolo, todos teriam a ganhar, pelo menos na área económica e na área da cidadania.
Urge pois, pôr a CPLP nas mãos de pessoas competentes que lhe emprestem dinamismo e acção .

acs

3 comentários:

Anónimo disse...

Muito obrigada por salientar a importância do papel da CPLP.
Espero que as coisas mudem em defesa da nossa Língua,e que os políticos não se curvem aos estrangeiros.
É tempo de a Língua Portuguesa se ipor nos areopagos internacionais.
MH

Anónimo disse...

É bom que haja alguém que de quando em vez relembre este tipo de problemas , pois pode ser que como diz o ditado " água mole em pedra dura tanto dá até que fura " e apareça quem faça andar algo neste país sobre a LÍNGUA PORTUGUESA. Não é só levar restos mortais de alguém , seja ele quem fôr, com mérito ou sem ele,para o Panteão Nacional que a nossa LÍNGUA melhora.
Obrigado pois.

Anónimo disse...

Recordo suas crónicas no Farol da Palavra, da RDP-Internacional. Obrigada por nos lembrar que a CPLP existe. Temos que pô-la a andar. Sandra Meireles S. Paulo