terça-feira, outubro 16, 2007

10. ARMILA D'A ACÇÃO

OS PORQUÊS DA CPLP

Em entrevista ao Diário de Notícias de 20.VII.1986, Agostinho da Silva afirmou: " Ou os homens de Língua Portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escuridão em que vive quase toda a gente - escravidão de várias espécies - e as liberta para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais do que humana, ou, então, o papel dos homens de Língua Portuguesa vai ser muito restrito no mundo. E é capaz de aparecer alguém a tomar esse encargo. Gostaria muito que fossem homens de Língua Portuguesa a terem uma mensagem que fosse válida para a Europa, porque, coitada da Europa!, não tem mais nenhuma mensagem para dar".
O certo é que, como Agostinho da Silva profetizava, o homem capaz de "tomar esse encargo" apareceu. José Aparecido de Oliveira, é o seu nome. Agarrando na ideia há muito teorizada por intlectuais como o luso-tropicalista Gilberto Freire, Almerindo Lessa, Darcy Ribeiro ou Adriano Moreira, José Aparecido de Oliveira tomou nas mãos a tarefa de pôr de pé a Comunidade dos Países de Língua portuguesa.
Aquilo que aprioristicamente seria fácil, tornou-se em missão difícil e espinhosa para este homem teimoso (da boa cepa transmontana) que topando em quase todas as esquinas com escolhos de toda a ordem, nunca soube aceitar um NÃO. Este homem brasileiro, que gosta de dizer que é "um português nascido no Brasil", de cada dificuldade fez um alento, do alento uma determinação, da determinação uma convicção e da convicção uma persuasão. Persuadidos que foram os políticos dos países de Língua Portuguesa, deu-se forma à ideia de José Aparecido de Oliveira e institucionalizou-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Deveria ter sido Aparecido de Oliveira - "uma verdadeira máquina de fazer amigos", no dizer de José Alberto Braga (1), a dar continuidade ao projecto, para que a CPLP arrancasse com pujança. mas os políticos, não lho permitiram: "Lançou a CPLP (...)Trucidaram-lhe a oportunidade de conduzir o projecto", afirmou António Valdemar(1), talvez porque como diz Alípio de Freitas ele "tem a obstinação e o sentido de urgência da História" (1).
É a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um instrumento único para o desenvolvimento social, económico e mesmo político dos países da CPLP, já que assenta em valores culturais e está alicerçada no melhor de todos eles: a Língua Portuguesa, como elemento de unidade e entendimento. Para tal torna-se imperativo confiar os destinos da CPLP à dedicação de pessoas que sejam capazes de a pôr em funcionamento, sem a mesquinhez das tricas políticas.
E não tenhamos receio de dizer as verdades: Se, desde o início, a CPLP tivesse funcionado como deveria, em todas as vertentes - linguística, cultural, social e económica, a Guiné-Bisssau, não estaria como hoje está...
acs

(1) JOSÉ APARECIDO-o homem que cravou uma lança na lua-Tinova Editora-Lisboa-1999

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo, mas é necessário pessoas como vós, para que a LÍNGUA PORTUGUESA não morra e continue viva.Políticos, jornalistas etc, falam línguas estrangeiras quando saem de Portugal, contudo, já há estrangeiros ( como por exp. uma colega francesa ) que já se interessam pela nossa língua.
Continue pois a lembrar-nos tudo sobre a LÍNGUA PORTUGUESA