4º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO PADRE ANTÓNIO VIEIRA
Natural de Lisboa, António Vieira (1608-1697) sacerdote jesuíta é um dos maiores vultos da literatura mundial. Durante a sua longa existência desenvolveu uma notável actividade, tanto como humanista, como homem das letras, onde cedo se prestigiou pelo extraordinário poder da sua eloquência espantosamente arrebatadora.
Os seus sermões revolucionaram a arte de pregar, libertando-a do cultismo até então dominante e a que a maioria dos pregadores a haviam escravizado. A harmonia, o ritmo musical da frase, tantas vezes repetida, como uma espécie de poderoso estribilho, a cantante sonoridade, a majestade e o equilíbrio dos períodos, a propriedade e a pureza da linguagem, asseguram-lhe um lugar de honra entre os melhores prosadores da Literatura Portuguesa e ,mundial.
É verdade que os seus sermões subjugam. Mas as cartas, que nos absorvem pela naturalidade, viveza de expressão e colorido dos descritivos, são uma preciosa fonte para o estudo da política e da vida social da época.
A sua obra (vastíssima) é composta por cerca de duzentos Sermões e numerosas Cartas. A António Vieira foi atribuída a autoria de a "Arte de Furtar", pois trata-se duma obra de notável força polémica e realista da sociedade do seu tempo. A ideia parece ter sido servir de chamariz aos leitores, dada a força do nome do Padre António Vieira. A autoria da obra, no entanto, parece ser do Padre Manuel da Costa, igualmente jesuíta. Este livro de meados do SEC. XVII, é uma enérgica denúncia de corrupção geral da época, sobretudo do alto funcionalismo e da alta burguesia financeira. A obra destaca-se duma vaga de panfletos (ainda hoje mal estudados) que abundam em Portugal no SEC. XVII, em torno da Inquisição, da nobreza, dos contratadores de rendas do Estado e outros figurões da época...
Dada a sua postura no sociedade, António Vieira, um dos maiores Humanistas de todos os tempos, viu-se a braços com a Inquisição que, quando o nosso jesuíta veio do Brasil a Portugal para defender junto da Corte a política da Companhia Geral de Comércio do Brasil, aproveitou a oportunidade para ajustar velhas contas com o defensor dos Cristãos-Novos. Após demorado processo, António Vieira ficou a ferros nas masmorras do Santo Ofício entre 1662 e 1665. O vigor musculado e nervoso da frase de Vieira e o seu extraordinário sentido da propriedade vocabular sempre tinham incomodado os senhores do Santo Ofício/Inquisição. António Vieira, acérrimo defensor dos indígenas, particularmente dos Ameríndios do interior do sertão, travou cerrada luta contra os colonos brasileiros que procuravam recrutar entre os Índios mão-de-obra escrava.
A espantosa actualidade da Obra de António Vieira a incomodar muita gente. Mas, por isso mesmo, é imperioso que se comemore com dignidade esta efeméride.
Já aqui tenho divulgado (Armila Literária) vários extractos da Obra de António Vieira. Ao longo deste ano de 2008 continuarei a fazê-lo.
acs
1 comentário:
Excelentes escritores é sempre bom recordá-los; Divulgá-los é obrigação de todos nós, mas especialmnente quem se dedica ao estudo e ensino das letras e literatura. Obrigada por nos recordar mais uma vez tão eloquente escritor.
Enviar um comentário