sexta-feira, junho 20, 2008

10. ARMILA LINGUÍSTICA

A LETRA
W

Agora que, com o novo acordo ortográfico, a letra W, até aqui uma letra estranha ao alfabeto português, vai passar a fazer parte do mesmo, é importante que a saibamos pronunciar.
Por força da colonização linguística que nos tem sido imposta pela língua inglesa e pela ignorância ou pedantice bacoca dos nossos jornalistas e de todos quantos usam do facilitismo de terem acesso à rádio e à televisão, a letra W tem vindo a ser pronunciada (pela generalidade dos portugueses) à moda da língua inglesa: "DÁBLIÚ".
Se virmos bem esta pronúncia "dábliú" quer dizer "double u" isto é DUPLO U: a letra u dobrada. Mas é assim que os ingleses se entendem, até porque antigamente e, mesmo no Latim, a letra V tinha também o valor de U.
Mas as línguas latinas (Português, Francês, Galego, Castelhano, Italiano ou Romeno) evoluíram e passaram a dar ao U e ao V o seu uso próprio.
As línguas latinas para pronunciarem a letra W, dizem que ela é um DUPLO V, como por exemplo os franceses que dizem "dublevê". Nós em Português devemos dizer DUPLO VÊ, VÊ DUPLO, ou VÊ DOBRADO (aqui está mais uma das riquezas da nossa língua).
Por curiosidade convido-vos a ver na televisão por cabo a TV5, um canal televisivo francês. Reparem que quando eles referem os endereços electrónicos dizem sempre "trois double ", ou "triple double ".
Ao pronunciarmos a letra W, comecemos pois a utilizar a Língua Portuguesa. Para referirmos verbalmente os endereços electrónicos, passemos a dizer: triplo vê dobrado, triplo vê duplo ou triplo duplo vê. Ao mesmo tempo comecemos a pressionar os jornalistas, locutores e apresentadores de rádio e televisão para que falem bem Português. Até muitos dos nossos professores de PORTUGUÊS pronunciam a letra W à inglesa...

acs

segunda-feira, junho 16, 2008

14. ARMILA D' A ACÇÃO

1. ACÇÃO BRASILEIRA

Se entrarmos em: http://www.ieb.usp.br/online/index.asp encontraremos um dos maiores tesouros do nosso léxico. Trata-se do mais antigo Dicionário de Português, editado em Coimbra, no longínquo SEC. XVIII e da autoria de Rafael Bluteau (apesar do nome, era português). O esforço de digitalização deve-se à Universidade de São Paulo. Aplausos.
2. (IN)ACÇÃO PORTUGUESA
Por contraste com este notável trabalho da Universidade de São Paulo, Portugal destaca-se pela inacção quanto às comemorações do 400º aniversário do nascimento do Padre António Vieira (Lisboa, 6.2.1608 - Baía, 18.7.1967). António Vieira notabilizou-se como orador e epistológrafo. Os seus textos ainda hoje incomodam muitos políticos que se olham ao espelho nos textos de Vieira. Em Fevereiro ainda se falou, de forma fugaz, deste homem, que, apesar de sacerdote, foi perseguido pela feroz e terrífica Inquisição. É pena que não se divulgue, sobretudo às novas gerações, a Obra deste Autor, até porque ele é uma escola de bem escrever Português.
3. A ACÇÃO DESEJADA
No próximo mês de Julho decorre mais uma cimeira dos países da CPLP. Porque grandes são as necessidades, enormes são as expectativas das conclusões desta cimeira. Agora que a CPLP já tem um protocolo com a União Europeia, deseja-se e espera-se que se tomem medidas, PARA ALÉM DA DIVULGAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA, conducentes à abertura de caminhos para a livre circulação de pessoas e bens e ao desenvolvimento sustentado, sobretudo, dos países africanos e de Timor, com o apoio de empresas portuguesas e brasileiras, em pé de igualdade, além do apoio oficial em termos do envio de professores médicos e outros meios tecnológicos.
4. ACÇÃO PORTUGUESA NO LUXEMBURGO
Em acção está o Centro Cultural Português do Luxemburgo que, agora leva a cabo uma exposição da Obra Gráfica de Júlio Pomar. Não se trata duma exposição de originais, mas de peças artísticas que sofreram um processo de gravura e reprodução. É uma oportunidade única de que os portugueses residentes no Luxemburgo não se devem alhear. Pode ser, que se esta exposição tiver sucesso, noutra oportunidade o Centro Cultural Português do Luxemburgo, possa exibir os originais de Júlio Pomar e, quiçá, a tela que retrata o seu olhar sobre o MAIO de 68.
A Exposição, comissariada por Maria de Lurdes Ferreira, está aberta até ao próximo dia 10 de Julho.
Aplausos.

acs

segunda-feira, junho 09, 2008

ARMILA PRIMEIRA.13

110º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE FERREIRA DE CASTRO


FERREIRA DE CASTRO
80 anos sobre a primeira edição de emigrantes


Ficou órfão de pai aos 8 anos e aos 12 emigrou para o Brasil, levando consigo muitos sonhos e as poucas letras que conseguira aprender na Escola Primária.

Este miúdo trabalhou como um homem em plena floresta amazónica, onde sofreu provações e conheceu a dor, a miséria e as personagens reais, que lhe permitiram vir a escrever A Selva, uma das mais notáveis da literatura de Língua Portuguesa. Fálo-vos de Ferreira de Castro (Oliveira de Azeméis-1898-Lisboa/1974).

Na selva amazónica passou quatro anos, após o que voltou para Belém do Pará, onde luta pela sobrevivência nos trabalhos mais humildes e árduos. Mas é também aí que inicia a sua actividade como escritor, publicando em fascículos, que ele próprio vendia, o seu primeiro romance que havia escrito aos 14 anos.

Em, Belém do Pará chegou a colaborar em vários jornais regressando a Portugal em 1919. Funda a revista A HORA e torna-se redactor de O Século, entre outras publicações. A sua obra literária começa verdadeiramente em 1928 com EMIGRANTES, que ele próprio reconhece ser o livro que marca o seu rompimento com a actividade folhetinesca que vinha desenvolvendo.

Ainda longe do neo-realismo, em Emigrantes, Ferreira de Castro lança já os seus alicerces assumindo-se como biógrafo "das personagens que, dir-se-á, não terem lugar no Mundo" emigrando "na mira de poderem também, um dia, saborear aqueles frutos de oiro que outros homens, muitas vezes sem esforço de maior colhem às mãos-cheias", como se lê no Prefácio à 4ª edição da obra.

Da sua passagem pela floresta amazónica, guardou duras recordações que foi amadurecendo ao longo dos anos até lhes dar forma literária. É assim que em 1930 publica A Selva, que derrubando fronteiras, se torna num dos maiores monumentos da literatura mundial.

Com A Lã e a Neve, Ferreira de Castro revela-nos o seu mais apurado realismo social, sendo evidente a ligação das relações económicas com o destino dos homens, pastores e tecelões, da dura montanha - A Serra da Estrela.

Mas vasta e excelente é a sua obra. Além dos títulos já referidos, recordemos O Instinto Supremo, A Missão, A Curva da Estrada, ou a Volta ao Mundo entre muitos outros.

Ferreira de Castro tem a sua obra traduzida praticamente em todo o mundo e em, praticamente, todas as línguas.

acs