quinta-feira, julho 17, 2008

13. ARMILA PRIMEIRA

CIMEIRA DA CPLP
24 e 25 de Julho de 2008


Lisboa acolhe nos próximos dias 24 e 25 a Cimeira da CPLP. Nesta Cimeira Portugal assumirá a Presidência da Comunidade. Desta Cimeira TUDO se exige. De há muito ( nomeadamente nas minhas crónicas na RDP-Internacional e agora nas páginas deste blogue) que me tenho vindo a bater por uma CPLP ACTUANTE. Hoje, toquemos apenas nalguns pontos:
1. A difusão internacional da Língua Portuguesa impõem-se, não com retóricas, mas com medidas concretas, como, por exemplo, torná-la língua oficial da ONU, lado a lado com o inglês, o chinês, o francês, o castelhano, o árabe e o russo. É imperioso que o IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) saia do papel e passe a funcionar a 100%. A nível interno (de Portugal) o Instituto Camões deveria sair da tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros e passar para a alçada directa do 1º Ministro, através dum Ministro da Presidência , que teria igualmente a responsabilidade das relações directas com a CPLP. Recordo aqui que, premonitoriamente, o presidente dos EUA, John Kennedy, em 1962 na sua Mensagem ao Congresso, considerou ser o Português, uma das línguas mais importantes do mundo moderno. Pôr a RDP-Internacional e a RTP-Internacional ao serviço da CPLP, é outra tarefa imperiosa.
2. A Língua Portuguesa é o melhor e mais valioso elemento da Cultura de todos os povos que integram a CPLP. Temos que estar atentos aos graves atropelos à nossa língua, bem como à influência hegemónica do inglês, pois ao deixarmo-nos influenciar pelo império da língua inglesa, corremos o mesmo risco do Latim, que hoje é uma língua morta, por se ter deixado influenciar, em demasia, por outras línguas locais. Recordemos o aviso de José Augusto Seabra, quando nos diz: "num contexto em que a afirmação das identidades e das alteridades culturais se acentua, como resistência à hegemonia do inglês, que as línguas latinas esboçam, é importante que sejamos capazes de promover, persistentemente, o uso do Português nas nossas relações internacionais, quer bilaterais, quer multilaterais, a todos os níveis, desde as relações culturais e científicas às relações económicas, sociais e mais propriamente políticas".
Mas que fazer quando os nossos políticos, nos areópagos internacionais habitualmente utilizam uma língua que lhes é estranha? E até mesmo internamente usam expressões em línguas estrangeiras...
3. É a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um instrumento único para o desenvolvimento social e económico dos países que a constituem, já que assenta em valores culturais e tem a Língua Portuguesa como elemento de unidade e entendimento. Para tal é imperativo confiar os destinos da CPLP à dedicação e competência de pessoas que sejam capazes de a pôr em funcionamento, sem a mesquinhez das tricas políticas. Pena foi, que logo de início, não se tenha posto à frente da CPLP, José Aparecido de Oliveira...
4. Estatutariamente a CPLP tem obrigações para além da defesa e difusão da Língua Portuguesa. Tem compromissos sérios com todas as áreas do nosso conviver colectivo: o social, o económico, o cultural, o educacional, o diplomático, a saúde, a inter-cidadania, etc.,etc.
Por isso, desta Cimeira de Lisboa, TUDO se exige. Por exemplo:
a) A livre circulação de pessoas e bens no espaço da CPLP. Tarefa que reconheço, só se poderá concretizar a médio prazo, mas os primeiros passos podem começar desde já.
b) A CPLP deve ser reconhecida a nível diplomático, pelo menos junto da ONU e da União Europeia.
c) À imagem e semelhança do Brasil, todos os oito países devem ter um Embaixador junto da CPLP e esta ter representação diplomática junto de cada Governo.
5. Para o desenvolvimento económico-social, dos PALOP e de Timor, devem-se apoiar parcerias económicas e empresariais, como, por exemplo, a EDP e a CP, com as suas congéneres moçambicanas, no desenvolvimento da rede ferroviária e na distribuição de electricidade em Moçambique, para aproveitamento da excepcional capacidade da barragem de Cahora Bassa. Duma cajadada matavam-se dois coelhos: aproveitava-se a electricidade produzida e desenvolvia-se a rede ferroviária de Moçambique, num claro apoio ao desenvolvimento do interior do país. Basta fazer parcerias economicamente vantajosas para ambas as partes. Assim o queira quem tem o poder de decidir...
Que esta Cimeira dê bons frutos. Sobretudo que se passe das frases de circunstância, para a acção.

acs

2 comentários:

Anónimo disse...

Grata pela notícia. Esperemos que os políticos dos oito membros da CPLP decidam bem e não se esqueçam do ensino do Português nas Comunidades Migrantes, em particular aqui no Luxemburgo.Bem precisamos.
Maria Isabel - Luxemburgo

Anónimo disse...

Concordo com estas sugestões em defesa da língua portuguesa.esperemos que os políticos façam algo pela língua mais falada em todo o Mundo.