sexta-feira, janeiro 09, 2009

ARMILA PRIMEIRA

EFEMÉRIDE


CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE
RUI DE NORONHA
(1909-1943)

Escritor moçambicano, Rui de Noronha nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo) em 28-10-1909 e aí veio a falecer em 25-12-1943. Foi jornalista e crítico literário de primeira água na imprensa moçambicana - O Brado Africano, África Magazine, O Mundo Português, Moçambique, Miragem e Notícias do Bloqueio, onde também publica muitos dos seus poemas que viriam a ser compilados no livro "Sonetos", editado postumamente.
Rui de Noronha foi um dos precursores da Literatura Moçambicana e é hoje um dos maiores valores das literaturas de Língua Portuguesa, estando antologiado em vários países: Portugal, Brasil, França, Suécia, Estados Unidos da América, Holanda, Itália, Rússia, Argélia e república Checa. Como poucos ele domina a nossa língua, dando-lhe exaltação e doçura, pujança e delicadeza. Homem de formação cultural portuguesa, é um amante e cultor da estética portuguesa oitocentista: Augusto Gil foi sua referência. Isto mesmo se testemunha no ritmo que imprimiu na sua poesia (comparemos a Balada da Neve com Quenguêlêquêze).
Poeta de raízes africanas, exaltou de forma inigualável a vida do povo moçambicano e dos seus valores. Defendeu com denodo os valores da dignidade nacional, sem ódios nem rancores, reescrevendo a história de Gungunhana e de Mouzinho de Albuquerque. Noémia de Sousa, uma poetisa da negritude homenageou-o com "Poema Para Rui de Noronha".
Já naquele tempo, muito antes da luta armada pela independência dos povos africanos, Rui de Noronha lançava o grito em "Surge et Ambula": "...Lança-te o Tempo ao rosto estranho vitupério/ E tu, ao Tempo alheia, ó África dormindo..." . Neste poema, como ao longo da sua obra, não manifesta ódios nem rancores. Defende apenas o progresso-"ouve a Voz do Progresso, este outro Nazareno"- de mãos dadas com todos (brancos e negros), ainda que fossem os Moçambicanos a gerir o seu destino. Homem solidário e amigo, Rui de Noronha para todos tinha um sorriso e em todos tinha um Amigo. Em sua homenagem, Elsa de Noronha, sua filha, senhora duma voz portentosa editou em finais do século passado um CD com poemas do pai e de outros autores de todos os países da CPLP, pois Rui de Noronha era um acérrimo defensor da Língua Portuguesa: " A Língua Portuguesa, é verdade que não é das mais fáceis de aprender. Ensine-se-lhe a Língua Portuguesa..."
A obra poética de Rui de Noronha está, hoje, esgotada. Os seus contos continuam (ao que sei) inéditos. No centenário do seu nascimento, a melhor forma do homenagear e de o recordar às novas gerações, seria reeditar a sua obra completa. Confiemos que assim se faça.
acs

2 comentários:

Anónimo disse...

Grandes valores da literatura devem sempre ser recordados, qualquer que seja a sua origem.Contudo os da Lingua Portuguesa - ou não fosse a n/ lingua- não devem ser esquecidos.Continue pois a recordá-los já que ninguém mais o faz. Obrigada.

Anónimo disse...

Este amante da Língua Portuguesa agora aqui recordado, com obra vasta e tão actual, conviria e é ser mercedor de homenagem oficial das nossas autoridades. Esperemos a divulgação da mensagem e que se aproveite a ideia. Parabéns e obrigada ao autor do blog, caro Correia, por nos trazer ao conhecimento vultos da nossa Língua e cultura.