GRUPO SURREALISTA DE LISBOA
Foi no último andar do n. 25 da Travessa da Trindade em Lisboa, que no dia 19 de Janeiro de 1949, o Grupo Surrealista de Lisboa, constituído por jovens artistas e escritores- Alexandre O'Neill, António Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José-Augusto França e Marcelino Vespeira, provocaram um pequeno "terramoto" na sociedade lisboeta ao efectuarem a sua primeira e única exposição. Foi há 60 anos.
O Surrealismo foi uma corrente literária e artística de origem francesa que teve o seu apogeu entre as duas Grandes Guerras e teve a sua primeira apresentação feita por André Breton, com o seu Manifesto de 1924 e em que o movimento é apresentado como um automatismo psíquico puro através do qual se pode exprimir o funcionamento real do pensamento.
Em Portugal foi nos finais os anos 30 que com António Pedro se começou a falar do Surrealismo, então denominado super-realismo ou sobrerrealismo. António Pedro aderiu em 1936 ao surrealismo inglês, depois de em 1935 ter assinado em Paris o Manifesto Dimensionista com outros nomes como Marcel Duchamps e Francis Picabia.
Em 1948, porém, por divergências entre José-Augusto França e Cesariny é criado por este e António Maria Lisboa, Henrique Risques Pereira, Pedro Oom e Cruzeiro Seixas, o Grupo Surrealista Dissidente.
1949 é o ano que marca as principais manifestações dos dois grupos surrealistas, mas o Grupo Surrealista de Lisboa destaca-se, quando no dia 19 de Janeiro atira a pedra no charco do marasmo cultural em que Portugal vivia, inaugurando a sua primeira e única exposição. Ali foram lançados os primeiros quatro Cadernos Surrealistas, o Catálogo da Exposição, A Ampola Miraculosa de O'Neill, Proto-Poema da Serra d'Arga de António Pedro e Balanço das Actividades Surrealistas em Portugal de José-Augusto França.
Era intenção dos surrealistas intervir nas eleições para a Presidência da República, tomando o partido de Norton de Matos contra Carmona. Impedidos pela Censura, foram obrigados a alterar a capa do Catálogo, por outra com um enorme X.
José- Augusto França, que doou à sua cidade natal as obras que constituem o Núcleo de Artes Contemporâneas de Tomar (embrião do futuro Museu de Artes Contemporâneas, deseja-se) é um dos surrealistas ainda em actividade. É pois justo que seja a Câmara Municipal de Tomar, por intermédio do Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar, a evocar a efeméride durante todo o ano de 2009, tendo como ponto de partida a Mesa Redonda que terá lugar já no próximo doa 19 no Clube Thomarense e em que participarão além de José-Augusto França, Cristina Azevedo Tavares, Raquel Henriques Silva e Rui Mário Gonçalves.
O Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar, conta no seu acervo com um importante conjunto de obras produzidas pelo Grupo Surrealista de Lisboa, talvez, mesmo, a melhor colecção dos artistas do Grupo.
acs
1 comentário:
Actividades destas devem sempre ser lembradas embora muitas das vezes só a nível regional ou local se pode saber. Contudo o resto do País também merece saber.Pena é que os média dêm tão pouco intertesse aos assuntos culturais.
Grata por no-lo dar a conhecer .
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