sexta-feira, janeiro 16, 2009

ARMILA PRIMEIRA

FOI HÁ 60 ANOS


GRUPO SURREALISTA DE LISBOA

Foi no último andar do n. 25 da Travessa da Trindade em Lisboa, que no dia 19 de Janeiro de 1949, o Grupo Surrealista de Lisboa, constituído por jovens artistas e escritores- Alexandre O'Neill, António Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José-Augusto França e Marcelino Vespeira, provocaram um pequeno "terramoto" na sociedade lisboeta ao efectuarem a sua primeira e única exposição. Foi há 60 anos.
O Surrealismo foi uma corrente literária e artística de origem francesa que teve o seu apogeu entre as duas Grandes Guerras e teve a sua primeira apresentação feita por André Breton, com o seu Manifesto de 1924 e em que o movimento é apresentado como um automatismo psíquico puro através do qual se pode exprimir o funcionamento real do pensamento.
Em Portugal foi nos finais os anos 30 que com António Pedro se começou a falar do Surrealismo, então denominado super-realismo ou sobrerrealismo. António Pedro aderiu em 1936 ao surrealismo inglês, depois de em 1935 ter assinado em Paris o Manifesto Dimensionista com outros nomes como Marcel Duchamps e Francis Picabia.
Em 1948, porém, por divergências entre José-Augusto França e Cesariny é criado por este e António Maria Lisboa, Henrique Risques Pereira, Pedro Oom e Cruzeiro Seixas, o Grupo Surrealista Dissidente.
1949 é o ano que marca as principais manifestações dos dois grupos surrealistas, mas o Grupo Surrealista de Lisboa destaca-se, quando no dia 19 de Janeiro atira a pedra no charco do marasmo cultural em que Portugal vivia, inaugurando a sua primeira e única exposição. Ali foram lançados os primeiros quatro Cadernos Surrealistas, o Catálogo da Exposição, A Ampola Miraculosa de O'Neill, Proto-Poema da Serra d'Arga de António Pedro e Balanço das Actividades Surrealistas em Portugal de José-Augusto França.
Era intenção dos surrealistas intervir nas eleições para a Presidência da República, tomando o partido de Norton de Matos contra Carmona. Impedidos pela Censura, foram obrigados a alterar a capa do Catálogo, por outra com um enorme X.
José- Augusto França, que doou à sua cidade natal as obras que constituem o Núcleo de Artes Contemporâneas de Tomar (embrião do futuro Museu de Artes Contemporâneas, deseja-se) é um dos surrealistas ainda em actividade. É pois justo que seja a Câmara Municipal de Tomar, por intermédio do Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar, a evocar a efeméride durante todo o ano de 2009, tendo como ponto de partida a Mesa Redonda que terá lugar já no próximo doa 19 no Clube Thomarense e em que participarão além de José-Augusto França, Cristina Azevedo Tavares, Raquel Henriques Silva e Rui Mário Gonçalves.
O Núcleo de Arte Contemporânea de Tomar, conta no seu acervo com um importante conjunto de obras produzidas pelo Grupo Surrealista de Lisboa, talvez, mesmo, a melhor colecção dos artistas do Grupo.
acs

1 comentário:

Anónimo disse...

Actividades destas devem sempre ser lembradas embora muitas das vezes só a nível regional ou local se pode saber. Contudo o resto do País também merece saber.Pena é que os média dêm tão pouco intertesse aos assuntos culturais.
Grata por no-lo dar a conhecer .