quinta-feira, janeiro 29, 2009

ARMILA PRIMEIRA

POETAS DA CPLP - ANGOLA


ALDA LARA
(1930-1962)



Alda Lara nasceu em Benguela em 9-6-1930 e faleceu em Cambambe em 30-1-1962. A vida foi--lhe breve. Depois dos estudos liceais feitos em Sá da Bandeira, vem para Portugal, onde inicia o curso de medicina em Lisboa, vindo a terminá-lo na Universidade de Coimbra. Dizem os seus amigos mais próximos que se avida não lhe tivesse sido madrasta, teria sido um grande vulto da medicina. Irmã de Ernesto Lara Filho, outro grande vulto das letras angolanas, conheceu na Faculdade de Medicina de Coimbra, Orlando de Albuquerque, um moçambicano também médico e escritor (hoje residente em Portugal)com quem viria a casar e que após a sua morte compilou em "Poesias" toda a sua produção poética.
A Casa dos Estudantes do Império (CEI) sempre foi um alfobre da intelectualidade dos estudantes oriundos das ex-colónias portuguesas de África. Foi aí que também Alda Lara achou o seu aconchego cultural tendo publicado os seus primeiros poemas no boletim Mensagem da CEI.
Poetisa de primeira água, soube de forma ímpar aculturar na sua obra as suas raízes africanas com a formação académica europeia e a cultura portuguesa. É notável a simbiose que soube fazer entre o neo-romantismo de que tanto gostava, com a sua vivência angolana, oferecendo-nos uma obra fortemente autobiográfica plena duma angolanidade autêntica, alicerçada nos valores humanos.
No campo da prosa Ana Maria Martinho destaca de Alda Lara "... o texto Desencontro (incluído em Contos Portugueses do Ultramar, 1969) e o vol. Tempo de Chuva, de 1973, em que o conto homónimo é um claro exemplo de anti novela, já que rejeita a linearidade diegética a favor de uma leitura lírica e fragmentária das pulsões da guerra e da estranheza do Homem e da Natureza perante a mudança e o excesso."
De Alda Lara encontramos muitos escritos espalhados pela imprensa angolana da época: ABC, O Lobito, Jornal de Angola, Jornal de Benguela, entre outros. Era justo que hoje se reunisse em livro todo este manancial tão disperso... Angola bem precisada está de estudar os seus valores e com eles construir o seu futuro. E nós, povos da CPLP também.
acs

1 comentário:

Anónimo disse...

Plenamente de acordo com a sua proposta. Esperemos que a CPLP leia esta proposta ou alguém lh'a faça chegar e que divulguem a obra desta e de outros autores lusófonos.