CAETANO COSTA ALEGRE
(1864-1890)
Caetano da Costa Alegre nasceu em S. Tomé em 1864 e veio a falecer em Portugal, na vila de Alcobaça em 1890, três anos depois de se ter matriculado no curso de Medicina na Escola Naval.
O seu único livro, "Versos", foi editado postumamente em 1916 e teve duas reedições em 1950 e 1951. Deixou obras dispersas no Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro (1893), na História Ethnográphica da Ilha de S. Tomé (1895) e no Correio de África já postumamente (1921-1923).
"Versos" é um conjunto de 100 poemas seleccionados do seu espólio pelo seu amigo, o jornalista Artur da Cruz Magalhães.
A poesia de Costa Alegre é marcada por um estilo límpido e uma espontaneidade que lhe surge com musicalidade e que deambula entre o romântico, o simbolismo e o parnasianismo, pela busca de objectividade das emoções.
Costa Alegre foi, pode dizer-se sem qualquer risco de erro, o pioneiro da Poesia da Negritude. Inicialmente indicia a formulação (ainda incipiente) das diferenças rácicas, contrapondo os valores da cor negra, às características da cor branca. Mais tarde evolui para a exaltação e glorificação ufana dos poetas da negritude, fazendo da etnicidade a marca das literaturas africanas de Língua Portuguesa, como essência diferenciadora: «A minha cor é negra,/ Indica luto e pena/ É luz, alegra, / A tua cor é morena. / É negra a minha raça, / A tua raça é branca / (...) / Porém, brilhante e pura, / Talvez seja a manhã / Irmã da noite escura! / Serás tu minha irmã?!...»
Costa Alegre, não era racista. Defendia a convivência harmoniosa entre negros, brancos e mestiços. Não se sentia superior nem inferior. Sentia, isso sim, uma certa segregação que então ainda se fazia sentir. É um dos maiores valores das literaturas lusófonas.
acs
2 comentários:
Continue pois a divulgar obras de autores que mereçam ser divulgados como é o caso de Costa Alegre.Parabéns ao autor eobrigada ao autor deste blog.
Muito obrigada por este contributo. É importante conhecer a obra de escritores que tenham contribuído para melhor conhecer a realidade etnográfica dos povos. Irei decerto aproveitar os esritos de Caetano Rocha Alegre.
M. Helena
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