ANTÓNIO GEDEÃO (PORTUGAL)
(1906-1997)
António Gedeão é o pseudónimo literário de Rómulo de Carvalho. A sua revelação tardia como poeta, aos 50 anos, leva Jorge de Sena a considerá-lo como o lídimo continuador de toda a herança modernista. A sua primeira obra poética (Movimento Perpétuo) data de 1956, mostra-nos um professor de Ciências Fisico-Químicas, não liberto do seu saber técnico - o que só vem a enriquecer a sua poesia - mas pleno duma notável sensibilidade, só possível num homem já maduro e com um olhar atento à realidade social e política que o rodeia. Com o seu segundo livro, Teatro do Mundo (l958, consegue logo a consagração definitiva. A força de poemas como Fala do Homem Nascido, Ode Metálica, Poema do Homem Só e Calçada de Carriche, foi determinante.
Apesar da sua elevadíssima intelectualidade, António Gedeão conseguiu ser um poeta popular, graças à divulgação que Manuel Freire deu à sua obra, ao musicar e cantar alguns dos seus poemas. Nos anos 60 do SEC. XX, Portugal estava ávido de mudança política e a elegância que António Gedeão dá à sua poesia, fez com que os esbirros da Censura não o entendessem. Mas o Povo entendeu. Pertence pois ao raro escol daqueles que conseguem, em vida, subir às alturas do Povo, para utilizar as palavras de Pedro Homem de Melo.
Assinando com o seu próprio nome, Rómulo de Carvalho, publicou vários livros escolares especializados, que revelam a sua vasta obra literária, destacam-se títulos como Máquina de Fogo (1961), Linhas de Força (1967), 4 Poemas da Gaveta (s/d), Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990), entre muitos outros. De salientar estes dois títulos que foram publicados ainda em vida. A razão dos títulos deve-se (disse o próprio António Gedeão) ao facto de já se considerar morto como poeta... O certo é que ainda hoje está vivo no sentir do Povo e as novas gerações ainda devoram os seus livros.
acs
1 comentário:
Excelente biografia/ retrato de António Gedeão/Rómulo de Carvalho.
Parabéns e obrigada.
Enviar um comentário