ANTÓNIO ALEIXO
(1899-1949)
António Aleixo nasceu em Vila Real de Santo António a 18-02-1899 e faleceu em Loulé a 16-11-1949. Este poeta popular algarvio foi, no mais rigoroso sentido do termo, um autodidacta. Quase analfabeto, foi pastor, pedreiro, emigrante, tecelão e cauteleiro. Andando de feira em feira vendendo lotaria, improvisava à guitarra e vendia também avulsamente pequenas folhas com quadras e glosas. Foi aliás nas feiras que encontrou motivos de inspiração para a sua obra.
Seu grande Amigo, redactor e compilador da sua Obra foi o professor de Liceu Joaquim de Magalhães, que ao prefaciar em 1943 o seu livro «Quando Começo a Cantar», garante que "embora não totalmente analfabeto - sabe ler e tem lido meia dúzia de bons livros - não é capaz de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe dá certamente qualificação para poder ser considerado um poeta culto".
Quando a sua obra poética e teatral (Teatro Popular) foi reunida num livro único, com o título Este Livro Que Vos Deixo em 1969 e na sua reedição de 1970, conseguiu o feito inédito de, durante semanas seguidas ocupar o primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. E a razão é simples: A FORÇA SINGULAR DAS SUAS QUADRAS, como aliás também nos diz Joaquim de Magalhães: "A razão desta singularidade está em que o conteúdo das quadras e dos esboços de teatro, contidos no volume, correspondia a preocupações morais e aspirações sociais que, já por esse tempo, animavam as consciências de grande número de portugueses. E sob a forma lapidarmente sintética de muitas das quadras do singular poeta algarvio, explodia, ou sorria, a expressão contundente ou contestatária de velados ou explícitos protestos humanos e justos, perante uma sociedade fortemente policiada e dificilmente vulnerável por outras formas directas de crítica ou ataque frontal."
Ironizando bastas vezes a partir de si próprio, a sua crítica social é mordaz e certeira. Dotado de invulgar capacidade de fazer quadras de sabor popular e aforismático, ele sintetiza magistralmente o seu pensamento crítico e moral.
Apesar da sua falta de instrução António Aleixo é um poeta sempre actual. O mundo-cão em que vivemos a isso o obriga. Saibamos nós mudar o mundo.
A leitora deste blogue, Estela Lisboa do Rio de Janeiro, no comentário ao texto que fiz sobre João Cabral de Melo Neto, solicitou que falasse sobre António Aleixo por ele não ser conhecido no Brasil. A apresentação, breve, de António Aleixo aqui está. Na próxima página divulgarei algumas quadras de António Aleixo. A Estela Lisboa, o meu profundo agradecimento por me ter possibilitado falar deste autor da minha preferência.
Para qualquer eventual publicação no Brasil da Obra de António Aleixo (era bonito que uma editora brasileira assumisse a edição) o melhor será contactar a Fundação António Aleixo, entretanto criada. Em Portugal, de momento, as edições estão esgotadas. Aqui fica o sítio na Internet da Fundação, bem como o seu endereço electrónico:
http://www.fundacao-antonio-aleixo.ptfundacao.aleixo@mail.telepac.pt
OBRA COMPLETA DE ANTÓNIO ALEIXO: Quando Começo A Cantar (1943), Intencionais (1945), Auto Da Vida E Da Morte (1 Acto) (1948), Auto Do Curandeiro (1 Acto) (1949), Auto Do Ti Joaquim (2 Actos) (inédito até à inclusão em 1969 em Este Livro Que Vos Deixo), Este Livro Que Vos Deixo (1969), Tremem De Medo Os Tiranos (Inéditos) (1978)
acs
2 comentários:
Feliz lembrança em pedir que este blogue fizesse referência a António Aleixo.Poeta popular algarvio , mas que vale a pena conhecer.
Obrigada por nos ter dado a conhecer Antônio Aleixo (perdão, António, como é em Portugal). Fiquei encantada com os seus sonetos. Esperemos que ele venha a ser editado no Brasil, pois também aqui ele tem MUITA verdade onde os seus sonetos se aplicam.
Obrigada mais uma vez.
Estela Lisboa - Rio de Janeiro
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