segunda-feira, fevereiro 08, 2010

ARMILA PRIMEIRA

PORTUGAL (1910-2010) - 100 ANOS DE REPÚBLICA

I - OS PRIMÓRDIOS

O republicanismo português tem os seus alicerces na magnífica triologia da Revolução Francesa: Liberdade-Igualdade-Fraternidade. Liberdade de pensamento, igualdade jurídica de todos os cidadãos, solidariedade das diferentes classes sociais. Estas ideias-força que motivaram os republicanos portugueses de várias tendências, que interpretavam os sentimentos populares já cansados duma monarquia arrogante, sobranceira, podre e caduca. Defendiam ao mesmo tempo a soberania nacional, eleições livres e a adopção duma constituição aprovada pelos eleitos do Povo e a subordinação do poder executivo ao poder legislativo.

Tinha sido assim em França com a Revolução Francesa de 1789, que levaria à queda da monarquia e assim veio a ser em Portugal, ainda que com um processo mais lento e menos conturbado.

A 25 de Abril de 1848 surge o primeiro número do jornal A República. António José de Almeida, José Relvas, Rodrigues Sampaio, Elias Garcia, João Chagas, Alves da Veiga, Basílio Teles, Antero de Quental, Oliveira Martins e Teófilo Braga, entre muitos outros, são nomes grandes que pontificam nas hostes republicanas.

A insatisfação popular e de várias classes sociais, levam os republicanos a encontrar no Ultimato Inglês de 11 de Janeiro de 1890, reforçado pelo Tratado de 20 de Agosto do mesmo ano e que as Cortes se recusaram a ratificar, a justificação para o movimento revolucionário que destituiria a monarquia. Surge assim o 31 de Janeiro de 1891.

II - O 31 DE JANEIRO DE 1891

O clima favorável que se criou nos meses anteriores à acção revolucionária, contou com o apoio do Partido Republicano Português (PRP) de Elias Garcia. Porém tudo se precipitou pela traição de um sargento infiltrado no movimento, levando a que os republicanos arrancassem para o teatro de operações, sem a conclusão dos preparativos. Erro fatal.

Na madrugada de 31 de Janeiro, cerca das 03H30 iniciou-se a concentração no Campo de Santo Ovídio das primeiras unidades sublevadas. Às 06 horas da madrugada as forças militares chegaram à Câmara Municipal do Porto, precedidas duma fanfarra militar que tocava A PORTUGUESA, que é hoje o Hino Nacional. Às 07 horas é içada no mastro da Câmara a bandeira do Centro Democrático Federal 15 de Novembro do P R P e proclamada a República.

As forças monárquicas, informadas pelo tal sargento, já estavam de prevenção e às 09 horas esmagaram o movimento. Dada a precipitação dos revolucionários, esta acção estava condenada ao fracasso.

No seu livro "Do Ultimatum ao 31 de Janeiro", editado em 1905 Basílio Teles escrevia:«Em 31 de Janeiro começaria, com efeito, o estretor do moribundo? Só nos restará receber-lhe o último suspiro e descê-lo piedosamente à vala escura da História». Dez anos mais tarde João Chagas e o Tenente Manuel Maria Coelho, editaram a "História da Revolta do Porto", onde diziam que o 31 de Janeiro «não fora a aventura sangrenta mais infecunda de um bando de sectários apaixonados», mas que «fora largamente fecunda, pois determinara o mais belo abalo moral por que passou a sociedade portuguesa do século XIX».
(continua)
acs

1 comentário:

Anónimo disse...

Agora que se aproxima o centenário da República é bom recordar como e porquê esta surgiu .Obrigada pois.