IV - O ANO DE 1910
Em 4 de Outubro de 1910 Machado dos Santos certo que já nada tem a perder, nem a defendê-lo, decide resistir. Como membro da Direcção da Carbonária, só ele sabe quais os efectivos de que dispõe e a capacidade de actuação dos seus homens. Foram então os grupos de civis armados da Carbonária que na manhã de 4 de Outubro impediram o estrangulamento da insurreição estabelecendo comunicações entre os núcleos revoltosos da Rotunda, do Quartel de Marinheiros e do Regimento de Artilharia 1, atacando as unidades militares realistas que se encontravam em trânsito e isolando outras. Assim, à Rotunda foram afluindo ao longo de todo o dia, civis e militares rebeldes, sobretudo soldados e baixas patentes, além dos alunos da Escola do Exército (actual Academia Militar).
As forças monárquicas que ocupavam o Rossio, hesitaram muito, antes de se decidirem em atacar as forças republicanas lideradas por Machado dos Santos, que saiu vitorioso dado o fogo cruzado da Rotunda e da Artilharia 1. O navio D. Carlos assume-se neutral e os navios S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Rossio e o Palácio das Necessidades.
Perante a iminência do desembarque as forças fieis ao rei desanimam e o rei foge de Lisboa. às 22 horas o Navio-Almirante é tomado pelos republicanos. Durante toda a noite os monárquicos
vão desacreditando de si próprios.
Em 5 de Outubro de 1910 cerca das 8 horas da manhã o Embaixador da Alemanha solicita a Machado dos Santos uma trégua. Ao ver a bandeira branca hasteada no Rossio, a multidão julga consumada a capitulação e invade eufórica toda a Baixa de Lisboa, inviabilizando qualquer acção militar. É então que o Quartel-General se rende e cerca das 10 horas a República é proclamada na varanda principal da Câmara Municipal de Lisboa. No resto do país a República é proclamada por telégrafo, tal como havia previsto João Chagas.
Em 10 de Novembro de 1910 a Inglaterra reconhece, de facto, a República Portuguesa.
Neste século de vida da República, altos e baixos marcaram a História de Portugal. Duas Guerras Mundiais (só participámos na I), a ditadura, a Guerra Colonial e o 25 de Abril, foram os factos mais marcantes destes 100 anos de História. Agora a crise é grave, mais por incompetência dos políticos que o Povo elegeu nestes 36 anos de Democracia. A República tem de ter a Arte e o Engenho, de que nos falava Camões, para solucionar o problema.
(FIM)
acs
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