quarta-feira, abril 18, 2007

4 - ARMILA D' A ACÇÃO

O PROTOCOLO DE QUIOTO E O GOVERNO PORTUGUÊS

Na sua edição de 22 de Março de 2007, num artigo de Alexandra Rosa, Luis Ribeiro e Sara Sá, a Revista Visão noticia que a Austrália proibiu, no passado mês de Fevereiro, a iluminação com lâmpadas incandescentes, sendo estas substituidas por lâmpadas fluorescentes compactas (LFC). Espera assim, emitir menos 800 mil toneladas de CO2. E Portugal? As lâmpadas incandescentes por aí andam alegremente contaminando o ambiente, sem que o Governo proiba o seu fabrico, a sua importação e a sua comercialização. Ao invés, parece, segundo me disse o dono da casa onde costumo comprar lâmpadas e outros produtos eléctricos, o Governo português prepara-se para aumentar o preço das lâmpadas incandescentes, com a alegação de que é para proteger o Meio Ambiente e cumprir o Protocolo de Quioto. A ser verdade que há de mais hipócrita? Isto apenas servirá para aumentar as receitas do IVA. O correcto seria banir as lâmpadas incandescentes e promover a venda das lâmpadas fluorescentes compactas baixando o preço, pois a procura será obrigatoriamente maior. Podemos todos encher os endereços electrónicos do primeiro-Ministro e do Ministro do Ambiente, com mensagens neste sentido.
acs

15-ARMILA LITERÁRIA

A ATITUDE DA EUROPA
(Hoje tal como no tempo do Eça)
Não falemos mais na Europa. Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia. Há hoje apenas um grande pinhal de Azambuja, onde rondam meliantes cobertos de ferro, que se odeiam uns aos outros, tremem uns dos outros, e, por um acordo tácito, permitem que cada um por seu turno se adiante - e assalte algum pobre diabo que vegeta ou trabalha ao canto do seu cerrado. Nas largas e bem traçadas estradas do Direito Internacional, alumiadas por Ortolan e outros lumes, rouba-se de carabina alta e rompem a cada momento brados de povos assassinados. A Europa, como os campos de corridas em Inglaterra, devia estar coberta destes avisos em letras gordas: Beweare of pick-pokets! (Cautela com os salteadores!)
A pequena propriedade política tende a acabar. Toda a terra vai em breve reunir-se nas mãos de quatro ou cinco grandes proprietérios... Ontem, era Tunis - porque a França necessita proteger a fronteira da Argélia. Hoje é o Egipto, porque a Inglaterra precisa assegurar o caminho da Índia. Amanhã, será a Holanda - porque a Alemanha não pode viver sem colónias. Depois, a Sérvia - por motivos que a seu tempo a Áustria dirá. Mais tarde, a Roménia - porque a Rússia é forte. Depois a Bélgica - porque sim. Depois...
Este assunto é lúgubre. Voltemos ao vale do Nilo!
Eça de Queiroz, in Cartas de Inglaterra