quinta-feira, novembro 22, 2007

13.ARMILA D'A ACÇÃO

CPLP - UE
FINALMENTE UM PASSO DECISIVO

No passado dia 7 de Novembro de 2007, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a União Europeia, assinaram, finalmente, um Acordo de Cooperação. O acordo foi subscrito por Luis Fonseca, Secretário Executivo da CPLP e por Louis Michel, Comissário Europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária.

Pese embora o facto de dar pelo modesto nome de MEMORNDUM DE ENTENDIMENTO, trata-se dum instrumento valioso nas relações entre os países que integram estas duas comunidades. Entre outras está garantida a cooperação nas seguintes áreas: a) Democracia e Direitos Humanos; b) Prevenção, Gestão e Resolução de conflitos; c) Diversidade Cultural; d) Educação, Formação e Juventude; e) Desenvolvimento Económico e Social; f) Sociedade da Informação.

Saibam a CPLP e a UE aplicar todas as sinergias e teremos uma CPLP vigorosa, capaz de trazer DESENVOLVIMENTO aos países que a compõem, em particular aos PAPLOP e Timor. A Língua Portuguesa, falada em todos os continentes, será o elo fundamental. Se é verdade que a Língua Portuguesa tem em Portugal a sua pátria, ela, hoje, não é propriedade exclusiva dos portugueses; pertence aos povos de todos os países lusófonos. Isto mesmo o terá entendido, numa larga antevisão política, o presidente dos E U A, John Kennedy, quando em 1962, na sua Mensagem ao Congresso, considerou ser o Português uma das línguas mais importantes do mundo moderno. Bush pode dizer os disparates que entender que,... a caravana passará.

É pena que José Aparecido de Oliveira não tenha tido oportunidade de assistir à assinatura deste acordo. No entanto, ele é a melhor homenagem que se lhe pode prestar. Assim os homens que estão ao leme da CPLP e dos 8 governos lusófonos, tenham a arte e o engenho de o pôr em prática.

Ficaremos atentos.

A terminar recordemos o poema que Miguel Torga dedicou ao Padre António Vieira:

ANTÓNIO VIEIRA*

Filho peninsular e tropical
De Inácio de Loiola,
Aluno de Bandarra
E mestre
De Fernando Pessoa,
No Quinto Império que sonhou, sonhava
O homem lusitano
À medida do mundo.
E foi ele o primeiro.
Original
No ser universal...
Misto de génio, magro e aventureiro.

* Poemas Ibéricos- 1984-Madrid-Ediciones Cultura Hispanica

acs

terça-feira, novembro 13, 2007

12.ARMILA D'A ACÇÃO

JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA


Nasceu José Aparecido de Oliveira em Conceição do Mato Dentro, no Estado de Minas Gerais, em 17 de Fevereiro de 1929. Figura grande da intlectualidade brasileira e do mundo lusófono, faleceu em Belo Horizonte no passado dia 19 de Outubro de 2007.
Não é fácil falar dum Amigo, sem correr o risco de parecer tendencioso. Vou-me esforçar por ser o mais objectivo possível, ainda que fazendo minhas as palavras de Heitor Cony, que na revista Manchete de 20 de Novembro de 1993, justificava assim os rasgados elogios para com um amigo:"porque acredita em dois tipos de homem: os que criam uma ideia e os que a concretizam."
José Aparecido de Oliveira, descendente de transmontanos, gostava de dizer que era um português nascido no Brasil. Mas mais do que issso, era assim que ele se sentia. Como jornalista, para além de integrar várias associações sindicais brasileiras colaborou com alguns dos mais destacados orgãos de informação do Brasil, como o Diário do Comércio, o Correio do Dia, o Correio da Manhã, a Revista Alterosa do Diário das Minas, ou a Rádio Inconfidência. Foi ainda presidente da Editora Saga do Rio de Janeiro.
Sempre do lado da Resistência Democrática, José Aparecido de Oliveira, foi Secretário de Estado, Ministro e Embaixador.
Mas a sua grande obra foi seguramente a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). É por ela que o seu nome será perpetuado no concerto das nações do Mundo Lusófono.
Em entrevista a José Alberto Braga (Revista Lusofonia - Julho de 1996) lembrava José Aparecido de Oliveira que " O Português é a lingua oficial mais antiga da Europa. Portugal foi o primeiro país do Ocidente a decretar a redacção de suas leis e regimentos e a apresentação de suas aulas universitárias em Coimbra, na língua popular. Foi uma decisão de D. Dinis, ainda no tempo em que todos os documentos oficiais dos reis da Inglaterra, da França, da Espanha, como dos príncipes da Itália e da Alemanha, só eram comunicados ao povo em Latim. Uma língua como a nossa, com um milénio de tradição, fundada sobre uma História e uma Literatura, não estará ameaçada de extinção.
(...)
Quem tem 200 milhões de homens falando uma Língua, e em todos os continentes, tem por certo uma afirmação de força e de poder na cena internacional."
Nessa mesma entrevista José Aparecido avisava já para as tarefas que o lado prático da CPLP impõe: troca de experiências cientificas e técnicas; exercício da influência lusófona no horizonte do mundo; dar prioridade às vertentes económicas e sociais, por serem essenciais para o desenvolvimento comum e sugeria a criação dum Banco de Desenvolvimento no seio da CPLP. Para tudo isto indicava o caminho:" O facto é que para prosseguir, temos de promover o debate e a avaliação crítica em cada um dos Estados membros."
Os avisos do "Pai" da CPLP aqui ficam. Que nos lembremos sempre dos seus conselhos é a melhor forma de honrar a sua memória. Ele concluiu uma obra. Continuá-la, cabe-nos a nós todos.
Hoje José Aparecido está lá no assento etéreo, na companhia, entre muitos outros de Luis de Camões e do Padre António Vieira. Todos em alegre bate-papo, mas atentos ao que nós fazemos das suas heranças.
Dizia Carlos Drummond de Andrade:
"Mas as coisas findas,
Muito mais que lindas,
Essas ficarão".

acs