JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA
Nasceu José Aparecido de Oliveira em Conceição do Mato Dentro, no Estado de Minas Gerais, em 17 de Fevereiro de 1929. Figura grande da intlectualidade brasileira e do mundo lusófono, faleceu em Belo Horizonte no passado dia 19 de Outubro de 2007.
Não é fácil falar dum Amigo, sem correr o risco de parecer tendencioso. Vou-me esforçar por ser o mais objectivo possível, ainda que fazendo minhas as palavras de Heitor Cony, que na revista Manchete de 20 de Novembro de 1993, justificava assim os rasgados elogios para com um amigo:"porque acredita em dois tipos de homem: os que criam uma ideia e os que a concretizam."
José Aparecido de Oliveira, descendente de transmontanos, gostava de dizer que era um português nascido no Brasil. Mas mais do que issso, era assim que ele se sentia. Como jornalista, para além de integrar várias associações sindicais brasileiras colaborou com alguns dos mais destacados orgãos de informação do Brasil, como o Diário do Comércio, o Correio do Dia, o Correio da Manhã, a Revista Alterosa do Diário das Minas, ou a Rádio Inconfidência. Foi ainda presidente da Editora Saga do Rio de Janeiro.
Sempre do lado da Resistência Democrática, José Aparecido de Oliveira, foi Secretário de Estado, Ministro e Embaixador.
Mas a sua grande obra foi seguramente a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). É por ela que o seu nome será perpetuado no concerto das nações do Mundo Lusófono.
Em entrevista a José Alberto Braga (Revista Lusofonia - Julho de 1996) lembrava José Aparecido de Oliveira que " O Português é a lingua oficial mais antiga da Europa. Portugal foi o primeiro país do Ocidente a decretar a redacção de suas leis e regimentos e a apresentação de suas aulas universitárias em Coimbra, na língua popular. Foi uma decisão de D. Dinis, ainda no tempo em que todos os documentos oficiais dos reis da Inglaterra, da França, da Espanha, como dos príncipes da Itália e da Alemanha, só eram comunicados ao povo em Latim. Uma língua como a nossa, com um milénio de tradição, fundada sobre uma História e uma Literatura, não estará ameaçada de extinção.
(...)
Quem tem 200 milhões de homens falando uma Língua, e em todos os continentes, tem por certo uma afirmação de força e de poder na cena internacional."
Nessa mesma entrevista José Aparecido avisava já para as tarefas que o lado prático da CPLP impõe: troca de experiências cientificas e técnicas; exercício da influência lusófona no horizonte do mundo; dar prioridade às vertentes económicas e sociais, por serem essenciais para o desenvolvimento comum e sugeria a criação dum Banco de Desenvolvimento no seio da CPLP. Para tudo isto indicava o caminho:" O facto é que para prosseguir, temos de promover o debate e a avaliação crítica em cada um dos Estados membros."
Os avisos do "Pai" da CPLP aqui ficam. Que nos lembremos sempre dos seus conselhos é a melhor forma de honrar a sua memória. Ele concluiu uma obra. Continuá-la, cabe-nos a nós todos.
Hoje José Aparecido está lá no assento etéreo, na companhia, entre muitos outros de Luis de Camões e do Padre António Vieira. Todos em alegre bate-papo, mas atentos ao que nós fazemos das suas heranças.
Dizia Carlos Drummond de Andrade:
"Mas as coisas findas,
Muito mais que lindas,
Essas ficarão".
acs
3 comentários:
Homens como José Aparício merecem ser lembrados. Continue pois salientando as suas obras e os seus feitos sem esquecer os restantes. Parabéns.
JOSÉ APARECIDO FOI O HOMEM QUE BEM SINTETIZA. PENA É QUE SEJA DE PORTUGAL (APENAS DE PORTUGAL) QUE VENHA ESTE RECONHECIMENTO.
APESAR DA BREVIDADE IMPOSTA À LINGUAGEM DOS BLOGS O MODO COMO DEFINIU JOSE APARECIDO FOI A MAIS BONITA QUE JÁ VI. OBRIGAGA. DEMOS AS MÃOS E FORTALEÇAMOS A CPLP. É O MELHOR QUE PODEREMOS FAZER EM MEMÓRIA DO SEU FUNDADOR E PARA BEM DE TODOS OS POVOS LUSÓFONOS.
MARGARIDA RODRIGUES . SÃO PAULO
Agora ao reler os seus textos fico satisfeita por algém do outro lado do Atlântico estar atento a este Blog. É que este blog é dos poucos sérios, escrito por fina pena, arrojados, educativo, informativo e com grande sentido de responsabilidade em defesa dos grandes valores que devem nortear o Homem.MH
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