FERREIRA DE CASTRO
80 anos sobre a primeira edição de emigrantes
Ficou órfão de pai aos 8 anos e aos 12 emigrou para o Brasil, levando consigo muitos sonhos e as poucas letras que conseguira aprender na Escola Primária.
Este miúdo trabalhou como um homem em plena floresta amazónica, onde sofreu provações e conheceu a dor, a miséria e as personagens reais, que lhe permitiram vir a escrever A Selva, uma das mais notáveis da literatura de Língua Portuguesa. Fálo-vos de Ferreira de Castro (Oliveira de Azeméis-1898-Lisboa/1974).
Na selva amazónica passou quatro anos, após o que voltou para Belém do Pará, onde luta pela sobrevivência nos trabalhos mais humildes e árduos. Mas é também aí que inicia a sua actividade como escritor, publicando em fascículos, que ele próprio vendia, o seu primeiro romance que havia escrito aos 14 anos.
Em, Belém do Pará chegou a colaborar em vários jornais regressando a Portugal em 1919. Funda a revista A HORA e torna-se redactor de O Século, entre outras publicações. A sua obra literária começa verdadeiramente em 1928 com EMIGRANTES, que ele próprio reconhece ser o livro que marca o seu rompimento com a actividade folhetinesca que vinha desenvolvendo.
Ainda longe do neo-realismo, em Emigrantes, Ferreira de Castro lança já os seus alicerces assumindo-se como biógrafo "das personagens que, dir-se-á, não terem lugar no Mundo" emigrando "na mira de poderem também, um dia, saborear aqueles frutos de oiro que outros homens, muitas vezes sem esforço de maior colhem às mãos-cheias", como se lê no Prefácio à 4ª edição da obra.
Da sua passagem pela floresta amazónica, guardou duras recordações que foi amadurecendo ao longo dos anos até lhes dar forma literária. É assim que em 1930 publica A Selva, que derrubando fronteiras, se torna num dos maiores monumentos da literatura mundial.
Com A Lã e a Neve, Ferreira de Castro revela-nos o seu mais apurado realismo social, sendo evidente a ligação das relações económicas com o destino dos homens, pastores e tecelões, da dura montanha - A Serra da Estrela.
Mas vasta e excelente é a sua obra. Além dos títulos já referidos, recordemos O Instinto Supremo, A Missão, A Curva da Estrada, ou a Volta ao Mundo entre muitos outros.
Ferreira de Castro tem a sua obra traduzida praticamente em todo o mundo e em, praticamente, todas as línguas.
acs
2 comentários:
Obrigado pela referência a um dos nossos melhores escritores .Começou desde muito cedo a trabalhar ,mas conseguiu vencer e merece toda a nossa admiração.
Continue pois, com regularidade, a lembrar-nos dos nossos grandes valores
Grata pela lembrança que nos dá. Vou comprar algumas obras deste autor (em especial os Emigrantes) para dar aos meus filhos, para que melhor eles se apercebam de quão foi difícil a vida de emigrante noutros tempos. Já comecei a divulgar o seu blogue pelos meus amigos.
Maria Isabel - Luxemburgo
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