LUCIANA STEGAGNO PICCHIO
(1920-2008)
Era membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras. Foi distinguida em Portugal com o Grande Colar da Ordem de Sant'iago da Espada. Portugal soube reconhecer-lhe o mérito. Em 2001 o Instituto Camões também a homenageou, tendo, então, publicado o livro A Língua Outra, uma fotobiografia de Luciana Picchio organizada por Alessandra Mauro.
Luciana Stegagno Picchio, teve uma vida mais portuguesa que italiana. Em entrevista ao jornal cultural português JL de 13-3-1990, declarava: "Portugal é o meu trabalho, o meu quotidiano, terra de escolha e língua de todos os dias. Faz parte da minha acção no mundo. Muita coisa até aprendi em português. Não acredito, absolutamente nada, na tradução: dizer «mesa» e dizer «távola» são duas coisas completamente distintas. (...) Mas é interessante porque há coisas que aprendi em português e só penso nelas em português. O uso hipocorístico, os diminutivos não existem tão profusamente no italiano. (...) Acabo tendo uma secção do meu imaginário ou mesmo do meu lembrário, só em português. Um dia em Cape Code, li numa tabuleta «linguiça» e todo o meu portuguesismo aflora num afecto enorme."
Com a sua morte, no passado dia 28 de Agosto (aos 88 anos) o mundo perdeu uma das mais notáveis lusitanistas de sempre, que ao longo da sua vida marcou várias gerações. Legou-nos uma obra com cerca de 500 títulos, dedicada aos estudos da Língua Portuguesa e das literaturas portuguesa e brasileira. Com os seus discípulos António Tabucchi, Maria José Lancastre e Fernanda Toriello, funda uma revista moderna e de referência: Quaderni Portoghesi, instrumento científico único para quem se quiser iniciar nos estudos portugueses, ou aprofundá-los.
Ainda que pouco tenha convivido com Luciana Stegagno Picchio, tive a felicidade de a conhecer e com ela conversar por ocasião de uma das suas visitas a Portugal. Era uma senhora encantadora, que cativava pelo seu olhar, pelo seu sorriso e por aquelas mãos que falavam como gente.
Portugal e o Brasil fizeram-se representar nas exéquias fúnebres pelos seus embaixadores junto do Estado Italiano e da Santa Sé. Na homilia, Monsenhor Agostinho da Costa Borges , reitor do Instituto Português de Santo António, em Roma, homenageou Luciana Picchio, com eloquência, grandeza e dignidade. No Passado dia 4 de Outubro foi a vez da Universidade lhe prestar a última homenagem na Capela da Università degli Studi di Roma, La Sapienza.
Luciana Stegagno Picchio legou ao Instituto Português de Santo António, em Roma, o fabuloso acerdo da sua Biblioteca, bem como o seu riquíssimo arquivo.
Em Itália, Portugal continua ainda a contar com bons amigos da sua Língua e da sua Cultura, como António Tabucchi, Giuseppe Carlo Rossi e Fernanda Toriello, entre outros.
Luciana, Portugal (que também é teu) agradece-te tudo o que fizeste por ele.
acs
1 comentário:
É bom saber que vultos da cultura de outros países se têm dedicado à língua portuguesa, por vezes até ,mais que muitos portugueses que têm mais obrigações e a têm esquecido.
Obrigada por nos recordar estes casos. Espero que ao menos sirva para muitos portugueses se dedicarem á nossa Língua.
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