quarta-feira, abril 29, 2009

ARMILA LITERÁRIA

POETAS DA CPLP


FERNANDO SYLVAN
(1917 - 1993)

Alípio Leopoldo Mota-Ferreira nasceu em Díli (Timor) em 1917 e faleceu em Lisboa em 1993. Literariamente conhecido sob o pseudónimo de Fernando Sylvan é um escritor de origem timorense. A sua obra abraça as áreas da poesia, do ensaio e da dramaturgia.
A poesia de Fernando Sylvan, área onde mais se destacou, é marcada por uma estilística que varia entre o modernismo e o panfletário, quando aborda a intervenção política (muito marcante na sua obra) sobretudo quando Timor é a referência: "Pedem-me um minuto de silêncio por Timor./Não me calarei."
Fernando Sylvan destaca-se sobretudo na poesia autobiográfica, particularmente na lírica amorosa, que assume um relevo especial. "Mulher, ou o Livro do Teu Nome"(1982), é uma obra de amor exacerbado, quase levado para além do limite dos extremos. No poema "O Mar" diz: "... Eu falei-lhe de ti./E o mar sentiu-se pequenino"...
A poesia de Fernando Sylvan é bivalente, pois tem tendências ensaísticas, ao mesmo tempo que é politicamente muito comprometida. Até por ter nascido português em Timor, ele tem um conceito de Pátria muito abrangente, um tanto ao estilo de Fernando Pessoa, que fazia da Língua Portuguesa a sua Pátria. Ele sempre foi português mas sentia-se também timorense. Não chegou a ter a alegria de ver a sua terra natal independente; porém chegou a confidenciar-me que quando Timor fosse independente assumiria a dupla nacionalidade. Referi-lo hoje aqui, é uma homenagem a Timor e a Fernando Sylvan.
Fernando Sylvan era um acérrimo defensor do fenómeno da aculturação, na linha do brasileiro Gilberto Freyre e da sua tese do luso-Tropicalismo. Da sua obra destacam-se, entre outros, na POESIA: 7 Poemas Por Timor/Tempo Teimoso/Meninas e Meninos/Cantogrito Maubere/Mulher ou o Livro do Teu Nome; no ENSAIO: Comunidade Pluri-Racial/Filosofia e Política no Destino de Portugal/A Universidade no Ultramar Português/A Língua Portuguesa no Futuro de África/Comunismo e Conceito de Nação em África e no TEATRO, duas obras: Duas Leis/Culpados.

acs

1 comentário:

Anónimo disse...

Excelente alusão a um autor de reconhecido valor, mas que , como muitos outros , por vezes ficam esquecidos.
Vale a pena recordá-los. obrigada