FERNANDO SYLVAN (TIMOR)
VELHAS FLORESTAS DE AGORA
Eu tinha uma floresta
quando era pequenino.
Ela era na montanha
no alto lá dos altos.
E havia outros meninos
que tinham mais florestas
nos altos lá dos altos.
As florestas serviam
para todos brincarmos.
Espécie de poesia
de árvores e bichos:
o perfume do sândalo
a paz da casuarina
a flor do cafeeiro
a altura dos coqueiros
o estilo dos bambus
os laços dos cipós
os ecos dos toqués
o riso dos macacos
o salto dos veados
o canto dos loricos.
As florestas serviam
para todos brincarmos.
Mas não era verdade.
Ilusão de meninos.
As florestas serviam
desde séculos e séculos
como templo sagrado
de rezar liberdade.
Nossos pais e avós
nas florestas secretas
iam gritar sua revolta
e rezar liberdade.
E escreviam no chão
e escreviam nas pedras
e escreviam nas árvores
contra o opressor
as palavras precisas
de rezar liberdade.
As florestas serviam
desde séculos e séculos
como templo sagrado
de rezar liberdade.
E ainda servem agora
a heróis guerrilheiros
como templo sagrado
de rezar liberdade!
in Cantogrito Maubere (Lisboa-1981)
1 comentário:
Excelente poema de quem conheceu bem a sua Terra Natal
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