JOÃO CABRAL DE MELO NETO (Brasil)
(9-1-1920/9-10-1999)
Bastar-lhe-ia ter escrito "Morte e Vida Severina", para ficar imortalizado na História das Literaturas de Língua Portuguesa. de si próprio disse, ao já extinto jornal português A Capital, em 1985: "Considero-me na linha dos poetas marginais, fora da tradição essencialmente lírica" (...) "O poeta não é só o guardião da palavra. O guardião da palavra é o gramático e por isso vive discutindo com o poeta".
Era considerado um poeta isolado em relação à Geração de 1945 de que fazia parte, porque João Cabral de Melo Neto procurou a síntese e a depuração do Modernismo, abrindo um novo caminho para as novas gerações. A sua poesia é concisa e precisa. Ele bate-se contra o irracionalismo, pela desmistificação dos seus próprios mitos. A sua técnica dá ao poema uma estrutura quase arquitectónica. É por isso que ele diz que o poeta vive discutindo com o gramático.
João Cabral de Melo Neto abraçou a carreira diplomática. Em Barcelona, onde foi Cônsul, conheceu o poeta português Alberto Serpa. Travaram-se de Amizade, uniram esforços e de colaboração com José Régio e Pedro Homem de Melo fizeram a revista O CAVALO DE TODAS AS CORES, de que saiu apenas um único número, que hoje é um documento histórico.
Intelectual de primeira água, João Cabral de Melo Neto, debruçou-se sobre a realidade que o rodeava. A sua obra é vasta. Escreveu o primeiro poema, "Sugestão de Pirandelo", em 1937, mas é em 1942 que publica o seu primeiro livro, "Pedra de Sono". Seguem-se, entre outros, O Engenheiro, O Cão Sem Plumas, O Rio, Paisagens Com Figuras, Morte e Vida Severina (que Chico Buarque haveria de musicar, dando-lhe uma divulgação internacional, para o grande público). A obra de João Cabral de Melo Neto está hoje reunida em POESIA COMPLETA (1940-1980), numa notável edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (Lisboa-1986) e com um Prefácio notabilíssimo do Professor Óscar Lopes.
Vencedor do Prémio Camões em 1990, Melo Neto é um verdadeiro artista da palavra. Provocatoriamente e por contraste com a intelectualidade de João Cabral de Melo Neto, que era um homem que sabia entender o Povo, apetece-me citar António Aleixo, um poeta popular português, quase analfabeto, que gosto de revisitar de quando em vez, e que também sabia ter um olhar atento e crítico sobre a sociedade que o rodeava: "A arte é a força imanente,/não se ensina, não se aprende,/não se compra, não se vende,/nasce e morre com a gente." (...) "A arte em nós se revela/sempre de forma diferente:/cai no papel ou na tela/conforme o artista sente."
João Cabral de Melo Neto, nasceu no Recife em 9 de Janeiro de 1920 e faleceu no Rio de Janeiro a 9 de Outubro de 1999.
acs
3 comentários:
Muito agradecida por nos recordar bons escritores e poetas da Língua Portuguesa.
Obrigada pela ronda que está fazendo pelos poetas da CPLP. Boa escolha. Fiquei curiosa em saber mais sobre o poeta popular António Aleixo. Nos diga mais sobre ele, pois estou certa que, tal como eu, muitos gostariam de o conhecer. Aqui no Brasil é um desconhecido.
Obrigada
Estela Lisboa - Rio de Janeiro
BRAVO MEU CARO AMIGO.
Estou deliciada pela escolha dos autores.
Um abraço.
M.H.
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