segunda-feira, junho 21, 2010

ARMILA LITERÁRIA

JOSÉ SARAMAGO (16.11.1922 - 18.06.2010)

LEVANTADO DO CHÃO

A MELHOR HOMENAGEM: LER/RELER A SUA OBRA

Natural da Azinhaga, uma pequena aldeia do Concelho da Golegã, esta foi a sua TERRA DO PECADO. Sim, é pecado viver como se vivia naquele tempo, não só nas pequenas aldeias portuguesas, mas em muitos locais do mundo. Por isso quando tinha dois anos veio com os pais para Lisboa, na busca por uma vida melhor. Em Lisboa cresceu e ouviu OS POEMAS POSSÍVEIS e em Lisboa encontrou PROVAVELMENTE ALEGRIA. Já tinha na BAGAGEM DE VIAJANTE a procura DESTE MUNDO E DO OUTRO. Foi assim que em busca d'O ANO DE 1993 nos deu AS OPINIÕES QUE O DL TEVE e ainda OS APONTAMENTOS, que eram como que um OBJECTO QUASE, para um MANUAL DE PINTURA E CALIGRAFIA.
Desenhadas as letras, feitas as frases, terá sido durante A NOITE, que, QUAL POÉTICA DOS SENTIDOS - O OUVIDO se interrogou: QUE FAREI COM ESTE LIVRO?. Faz então uma VIAGEM A PORTUGAL e da sua passagem por Mafra fica-lhe o MEMORIAL DO CONVENTO. Já ia longe O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, quando, provocatoriamente, se faz ao mar numa tosca (A) JANGADA DE PEDRA. Nesta viagem atlântica lembra-se de dois dos mais populares santos da Igreja: Santo António de Lisboa e São Francisco de Assis. Ambos defensores dos pobres e pioneiros do Movimento Ecologista Mundial. Conclui que em finais do SEC. XX é tempo para A SEGUNDA VIDA DE FRANCISCO DE ASSIS.
Ao recordar a HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA, acha que IN NOMINE DEI é justo que O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO seja a pedra de toque para um ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA. Queda-se por Tías, uma pequena aldeia da ilha de Lanzarote. Aí tem à mão cinco cadernos que lhe lembram os tempos da Escola Primária e decide escrever neles um diário. Junta-os. Ata-os com um retrós e por fora escreve CADERNOS DE LANZAROTE. Pôs-se a pensar em TODOS OS NOMES daqueles que fizeram a História de Portugal, deambulou por todo o mundo e ao recordar o Padre António Vieira, deu por ele na Suécia, numa cidade chamada Estocolmo. Aí deu-lhe para falar às gentes. Falando em Português todos o entenderam. Estas suas falas ficaram conhecidas por DISCURSOS DE ESTOCOLMO. Na volta decide passar pela sua terra natal e dar um salto a Lavre, no Alentejo, para dar dois dedos de conversa com sua amiga Mariana Amália. No caminho ao ver a monumentalidade duma estátua, conjectura porque é que A ESTÁTUA E A PEDRA se entendem tão bem, lembra-se d'O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA que a mãe lhe contava à cabeceira da cama quando era menino. Repousa a cabeça sobre umas FOLHAS POLÍTICAS - 1976/1988 e adormece. Ao acordar vê que está n'A CAVERNA onde O HOMEM DUPLICADO fez um ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ e lhe havia falado dum tal DON GIOVANNI OU O DISSOLUTO ABSOLVIDO. Levanta-se, esfrega os olhos para melhor enfrentar a luz do sol e vai ter com Pilar que o aguarda em Tías. Cogita sobre AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE, olha para o seu reflexo num lago e conclui: eu José Saramago sou um homem LEVANTADO DO CHÃO.
acs

3 comentários:

Joana - Bragança disse...

Já muito se falou de Saramago. Esta parece-me ser uma forma muito bonita e quiçá a mais eficiente para uma revisita à Obra samaraguiana.
Joana - Bragança

José Augusto -África do Sul disse...

Obrigado Saramago por nos teres dado todas estas obras. Nos tempos que correm reflectir sobre elas é excelente para prepararmos um futuro melhor para o Mundo.
José Augusto - Cidade do Cabo- África do Sul

Anónimo disse...

Esta é uma homenagem muito bonita feita ao escritor, a partir dos títulos das obras, redigida com muita sensibilidade e poesia e principalmente biográfica e elegante.
Parabéns
M.Helena