AVANTE COM A CPLP
...Ainda e Teimosamente
A Língua Portuguesa que, no dizer de Francisco Rodrigues Lobo, " para falar é engraçada com um modo senhoril; para cantar é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar é substanciosa, com uma gravidade que autoriza as razões e as sentenças; para escrever cartas, nem tem infinita cópia que dane, nem brevidade estéril que a limite; para a História, nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias" (1), a Língua Portuguesa, dizia, tornou-se ao longo dos séculos, de entre todas as línguas que por transplantação se espalharam pelo mundo, a que melhor soube ser o elo aglutinador da identidade cultural e nacional dos países nascidos da colonização portuguesa.
"A língua é um dos elementos da nacionalidade; pugnar pela vernaculidade daquela é pugnar pela autonomia desta"(2), dizia o grande linguista José Leite de Vasconcelos, como que em resposta a Cícero, quando este afirmava interrogativamente: "Que força maior pode separar e congregar os homens do que a língua?"(2).
A Língua Portuguesa é o melhor e mais valioso elemento da nossa cultura comum. Enquanto sobre a terra houver um único homem que fale português, a Língua Portuguesa está viva.
Temos, no entanto, que estar atentos aos graves atropelos e à influência hegemónica da língua inglesa, pois ao deixarmo-nos influenciar pelo império da língua inglesa, corremos o risco de nos acontecer o mesmo que ao Latim, que é hoje uma língua morta, por se ter deixado influenciar, em demasia, por outras línguas locais.
Afirmei há tempos que "aquando dos Descobrimentos Portugueses, a Língua Portuguesa viajou a bordo das caravelas e aportou em tudo o que era sítio nos cinco continentes. Pelo fenómeno da aculturação influenciámos várias línguas. Se é verdade que a Língua Portuguesa tem em Portugal a sua Pátria, ela hoje não é propriedade exclusiva dos portugueses, pertence aos povos de todos os países lusófonos". (3)
Isso mesmo o terá entendido o presidente dos E.U.A., John Kennedy, quando premonitoriamente, em 1962, na sua Mensagem ao Congresso, considerou ser o Português uma das línguas mais importantes do mundo moderno. Estranho é o facto dos nossos políticos (por pedantice barata), nos areópagos internacionais, habitualmente se fazerem entender utilizando uma língua que lhes é estranha.
Cabe-nos pois, a todos, defender e difundir a Língua Portuguesa em todo o mundo (e no nosso dia-a-dia), até porque ela é, a um só tempo, o alicerce e o elo, a raiz e o tronco da Comuniodade dos Países de Língua Portuguesa.
acs
(1) CORTE NA ALDEIA - Francisco Rodrigues Lobo - Lisboa - 1619
(2) QUESTÕES DA LÍNGUA PÁTRIA (vol.1-2ª Edição)-Xavier Fernandes - Edição Álvaro Pinto (Ocidente)-Lisboa s/d-SLP cota 1102
(3) A UNIVERSALIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA - António Correia Samouco - Comunicação ao Congresso Internacional "LUSOFONIA A HAVER", Lisboa 25-11-99
1 comentário:
Ainda bem que há quem se interesse publicamente pela LINGUA PORTUGUESA. Estou de acordo com os autores citados. Continue pois a lembrar-nos tudo o relacionado com a LÍNGUA PORTUGUESA.
NÃO DESISTA. Obrigada
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