terça-feira, maio 09, 2006

2. ARMILA PRIMEIRA Evocação de Fernando Lopes-Graça no primeiro centenário do seu nascimento

Fernando Lopes-Graça é uma das figuras mais marcantes da música europeia do Séc. XX.
Nasceu em Tomar a 17 de Dezembro de 1906. Celebra-se pois, durante este ano o primeiro centenário do seu nascimento. Não cabe neste espaço evocar exaustivamente a sua figura e a sua obra. Pretendo tão-só, registar o acontecimento e divulgá-lo ás novas gerações neste tempo de grandes, maldosos e, por vezes, criminosos esquecimentos.

Cabe aqui lembrar o Compositor, o Maestro, o Pedagogo, o Cidadão de Tomar, o Cidadão do Mundo, o Fundador do Jornal “A Acção” (Tomar- 1928), do Jornal de Música (Lisboa- 1928), para além do Político empenhado, do Homem Bom e do Homem Solidário. Nos melhores conservatórios e outras escolas de música de todo o mundo a sua obra é estudada e bastas vezes interpretada. Em Portugal, quase que caiu no esquecimento e as novas gerações mal o conhecem. Tivesse Lopes-Graça sido espanhol ou de qualquer outra nacionalidade e logo teríamos grandes comemorações a nível mundial, como foi o caso de Mozart a propósito dos 250 anos do seu nascimento.

Em boa hora a Câmara Municipal de Tomar decidiu que 2006 seria no concelho o Ano Lopes-Graça, pelo que ao longo deste ano leva à prática toda uma programação sobre a sua figura de cidadão e sobre a sua obra. Gostei de ler no boletim da Câmara as palavras do seu Presidente (António Paiva) quando escreve “...a Câmara Municipal de Tomar considera que este ano deverá ser, muito mais que um tributo, uma oportunidade de dar a conhecer aos seus conterrâneos a vida e a obra exemplares deste homem. Desde as crianças aos adultos as comemorações foram pensadas de forma especialmente pedagógica, com edições diversas e em diversos suportes”.

Obviamente que a Câmara Municipal de Tomar mais não faz do que cumprir a sua obrigação. Mas nos tempos que correm, em que os valores morais e éticos andam tão arredados da política é de sublinhar com alegria e esperança num mundo melhor.

Mas Fernando Lopes-Graça, foi um homem que ultrapassando as fronteiras nabantinas, ascendeu a uma dimensão nacional e internacional pelo que cabe perguntar: onde está o Ministério da Cultura? Qual é a programação evocativa do Teatro Nacional de S. Carlos, da Casa da Música, do Centro Cultural de Belém ou da Fundação Gulbenkian?

E a RTP e a RDP?

A Antena 2 da RDP tem vindo a divulgar a obra de Lopes-Graça. Mas ainda que vasto, o seu auditório não deixa de ser limitado a um escol de ouvintes. É imperioso que a Antena 1 e a RDP Internacional o divulguem. Quanto à RTP ainda não se deu por nada. De outros grandes músicos estrangeiros, a RTP tem transmitido pequenos seriados elaborados por televisões estrangeiras. Não seria da RTP fazer o mesmo e vender a sua produção a outras televisões? Ao menos que nos brinde, acompanhando a Agenda Cultural da Câmara Municipal de Tomar...

Fernando Lopes-Graça merece, no mínimo, umas comemorações de dimensão nacional.
Já agora uma sugestão-desafio: não seria possível conjugar esforços entre a Câmara de Tomar, a Fundação Gulbenkian (orquestra e coros), a RTP, a RDP e o Ministério da Cultura, por forma a editar em CD a obra completa (coral e orquestral) de Lopes-Graça a um preço simbólico?

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá`
É bom lembrar nquem merece ser lembrado e sobretudo quando são Portugueses. Não são só os estrtangeiros que são bons. Nós também temos bons elementos; isto é tivemos e temos e esperemos que continuemos a ter.
N Ocirera