Nos tempos que correm a lígua inglesa impõe-se como um império universal, adulterando profundamente todas as outras línguas do planeta Terra. O Português, o Francês, o Galego, o Castelhano, o Italiano, etc. têm sido alvo fácil.
Sou dos que defendem que os dias comemorativos: da Floresta, do Ambiente, da Solidariedade, da luta contra qualquer doença, etc. têm razão de ser porque, ao menos nessas datas o tema é abordado e chamada a atenção dos cidadãos. E tantas vezes o cântaro vai à fonte que algum dia lá deixará a asa...
Diz o Professor Eduardo Lourenço que a língua "não é um instrumento neutro, um factor contigente da comunicação entre os homens, mas a expressão da sua diferença. Mais do que um património, a língua é uma realidade onde o sentimento e a consciência nacional se fazem pátria ".
Nestes tempos de integração na União Europeia, não tenhamos medo da palavra PÁTRIA, pois há uma diferença abismal entre PATRIOTISMO e PATRIOTEIRISMO. Seja qual for a evolução da União Europeia, certo é que nenhum povo da Europa abdicará da sua identidade cultural muito menos da sua língua. Cabe aqui recordar a sábia recomendação que em 1989 o Professor José Augusto Seabra fazia no Colóquio Internacional "Língua Portuguesa - Que Futuro?". Dizia: "Num contexto em que a afirmação das identidades e das alteridades culturais se acentua, como resistência à hegemonia do inglês, que as línguas latinas esboçam, é importante que sejamos capazes de promover persistentemente o uso do Português nas nossas relações internacionais, quer bilaterais quer multilaterais a todos os níveis, desde as relações culturais e cientificas às relações económias, sociais e mais propriamente políticas".
Ora temos assistido ao insólito de nos areópagos internacionais os nossos políticos, por mera pedantice, falam sempre em língua estranha. Espanhois, franceses, italianos, palestinianos, israelitas, polacos, russos, etc. falam sempre nas suas línguas... Honram-se da sua identidade cultural.
A propósito de Honra, cabe aqui recordar um compromisso assumido pelos deputados na Assembleia da República. Lê-se na página nº 3145 do Diário da Assembleia da República de 12 de Junho de 1981: " Por sugestão da Sociedade da Língua Portuguesa foi recomendada a esta Assembleia, por representantes de todos os partidos, que se façam esforços no sentido de ser institucionalizado o Dia Internacional da Língua Portuguesa. Essa recomendação será, esperamos bem, ainda discutida e aprovada antes do fecho da presente sessão legislativa".
Pesem embora a unanimidade dos Grupos Parlamentares e as diligências que a nível pessoal desenvolvi junto da A.R., o certo é que até hoje os senhores deputados ainda não tiveram tempo para tomar uma decisão sobre a matéria... Depois, quando em vésperas da Páscoa, faltam às suas obrigações de deputados e a Opinião Pública lhes aponta o dedo acusador, sentem-se muito ofendidos...
De 12/06/1981 até agora já passaram várias sessões legislativas e já tivemos várias eleições. Sei que, pelo menos em Maio de 2003 o assunto foi enviado para a Comissão Permanente de Educação, Ciência e Cultura (por carta que me foi dirigida pela Assembleia da Rebública) mas até agora ainda não houve quem fosse capaz de promover o seu agendamento, discução e votação. Numa palavra acabar com as burocracias...
acs
4 comentários:
Parabéns por ter abordado este assunto da n/língua. Seria bom que quem de direito resolva de vez este assunto. Há que não nos envergonharmos da n/ identidade , da n/ cultura e da n/ língua .
Felicidades
..."Ora temos assistido ao insólito de nos areópagos internacionais os nossos políticos, por mera pedantice, falam sempre em língua estranha. Espanhois, franceses, italianos, palestinianos, israelitas, polacos, russos, etc. falam sempre nas suas línguas... Honram-se da sua identidade cultural."...
...De todo, não é essa a interpretação que dou ao facto das pessoas serem poliglotas ... e ARMILAR, , creio que dá valor a quem estranjeiro, tenta comunicar connosco em português, mesmo rudimentar... e não é verdade que também considera pedantice, que alguém radicado entre nós, recuse a língua nacional ?!?
Em Roma sê romano ... mas não sejamos sectários !
É uma tristeza os nossos deputados não terem em atenção os valores maiores da nossa identidade. Andamos a votar neles e depois é o que se vê. Até os que me levam o voto... Sou eleitor do PCPm as tambem já começo a desconfiar deles. Tambem já estão acomodados. José Carlos Silva - Lisboa
A recente portaria 500/2006, de 31 de Maio, relativa ao imposto municipal sobre veículos, usa e abusa do termo "front office". Não há qualquer necessidade técnica para o seu uso e não há justificação possível que não seja a de um qualquer pedantismo serôdio. Não conheço nenhuma ofensa mais grave à língua portuguesa do que esta de usar termos de outra língua viva na própria legislação, num estilo que lembra a utilização de latim por certas pessoas que se presumem eruditas. Diz-se já que a insistência do 1º Ministro no ensino de Inglês tem a ver com o objectivo de a nossa legislação passar a ser em inglês...
Não se pode fazer nada? É que se aceitamos isto, que sentido tem defender a língua portuguesa?
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