terça-feira, maio 30, 2006

5. ARMILA PRIMEIRA

AO TELEFONE COM EÇA DE QUEIROZ
O texto de Eça de Queiroz que, na semana passada, divulguei levantou alguma celeuma contra mim e contra o meu amigo Eça. Isto porque Eça de Queiroz teve o desplante de escrever que devemos falar "orgulhosamente mal" e "patrioticamente mal" as línguas estrangeiras. Ao transcrever parte da carta de Fradique Mendes a Madame S., é obvio que lhe dei a minha concordância. A este propósito, no outro dia, estive ao telefone com o Assento Etéreo e falei com o meu amigo Eça. Porque (com a concordância dele) gravei a chamada telefónica, transcrevo aqui, na parte que interessa, a nossa conversa:
...

- Já agora fica sabendo que fiquei contente por teres divulgado no teu blogue parte da carta do Fradique à Madame S.
- Trata-se dum texto notável, mas nota que vários amigos meus se manifestaram contra, pois consideram que devemos falar sem erros as línguas estrangeiras.
- Mas eu não disse nada disso!...
- Obviamente que não. Mas uns nunca leram "A Correspondência de Fradique Mendes", outros já o leram há muito tempo e já não se recordam com precisão do texto integral. Claro que...
- Devias ter transcrito a carta toda para que eles percebessem, pois,...
- Não posso. Não posso e não quero.
- Como assim?!...
- São textos muito grandes, que acabavam por ocupar todo o espaço, e muitas vezes não caberiam; por outro lado e SOBRETUDO, o objectivo da Armila Literária é incentivar os leitores do Armilar, a lerem ou relerem as obras dos nossos melhores escritores...
- Percebo e concordo contigo; mas eu insurgia-me era contra aqueles que não sendo falantes de outras línguas, procuram imitar, saloiamente, os naturais , como por exemplo o aspirar os Hs em inglês, tão afectadamente como os ingleses ou dizer "PARRRRIS", como os franceses.
- É, aliás, o que tu dizes logo no início da carta quando escreves "se seu filho já sabe o castelhano necessário para entender os "Romanceros", o "D. Quixote", alguns Picarescos, vinte páginas de Quevedo, duas comédias de Lope de Vega, um ou outro romance de Galdós, que é tudo quanto basta ler na literatura de Espanha,-para que deseja a minha sensata amiga que ele pronuncie esse castelhano que sabe com o acento, o sabor e o sal de um madrileno nascido nas veras pedras da Calle Mayor?"
- E é isso. Tão-só. Mas falar sempre como se a língua estrangeira fosse por nós domada, e assim a pronunciar, à nossa maneira. Sem erros, mas também sem afectação pirosa e bacoca. Olha! Os políticos que agora, aí em baixo, governam o nosso País deviam aprender a falar as línguas estrangeiras sem erros, já que...
- Falar sem erros, mas nas reuniões de gabinete, porque quando falam em público devem falar sempre na nossa língua, como aliás fazem os governantes dos outros países. Não é?
- Claro. Claro como água. Por uma questão de dignidade e de afirmação da nossa identidade cultural.
acs

3 comentários:

Anónimo disse...

De facto, saber falar outras línguas mas não esquecer a nossa identidade cultural.

Anónimo disse...

A subserviência dos portugueses aos outros idiomas europeus coloca em perigo a nossa própria identidade cultural. Falemos orgulhosamente português e abandonemos outros vocabulários que sorrateiros espreitam na nossa expressão linguística.

Anónimo disse...

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