quarta-feira, junho 21, 2006

7. ARMILA LITERÁRIA - Selecção de textos de grandes autores

A GUERRA

É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades e talvez em algum momento sorve reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema; nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho; o rico não tem segura a fazenda; o pobre não tem seguroo seu suor; o nobre não tem segura a honra; o eclesiástico não tem segura a sua cela, e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro.

Pde. António Vieira- in Sermão panegírico pregado em Lisboa em 1668, no aniversário da rainha Maria Francisca Isabel de Saboia

AS NEGOCIAÇÕES DIPLOMÁTICAS

Que de tempos costuma gastar o mundo, não digo no ajustamento de qualquer ponto de uma paz, mas só em registar e compor os cerimoniais dela! Tratados preliminares lhe chamam os políticos, mas quantos degraus se hão-de subir e descer, quantas guardas se hão-de romper e conquistar, antes de chegar às portas da paz, para que se fechem as de Jano? E depois de aceites com tanto exame de cláusulas as plenipotências; depois de assentes com tantos ciúmes de autoridade as juntas; depois de aberto o passo às que chamam conferências, e se haviam de chamar diferenças, que tempos e que eternidades são necessários para compor os intricados e porfiados combates que ali se levantam de novo? Cada proposta é um pleito, cada dúvida uma dilação, cada conveniência uma discórdia, cada razão uma dificuldade: cada interesse um impossível, cada praça uma conquista: cada capítulo e cada cláusula dele uma batalha, e mil batalhas. Em cada palmo de terra encalha a paz, em cada gota de mar se afoga, em cada átomo de ar se suspende e pára. Os avisos e as postas a correr e cruzar os reinos, e a paz muitos anos sem dar um passo.

Pde. António Vieira - in Sermão panegírico pregado em Lisboa em 1668, no aniversário da rainha Maria Francisca Isabel de Saboia

5 comentários:

Anónimo disse...

Era bom que os políticos Timoreenses entendessem o Padre António Vieira.
Carlos Alberto - Timor

Anónimo disse...

Ambos os textos do Padre António Vieira aqui transcritos, infelizmente são actuais. Seria bom que todos os governantes do Planeta tivessem acesso- nas respectivas línguas- a estes textos e os meditassem.

Anónimo disse...

Ambos os textos do Padre António Vieira aqui transcritos, infelizmente são actuais. Seria bom que todos os governantes do Planeta tivessem acesso- nas respectivas línguas- a estes textos e os meditassem.

Anónimo disse...

" e os meditassem " ? são inaceitáveis estas construções gramaticais num blogue que se quer de defesa da lingua portuguesa.

Anónimo disse...

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