A REFORMA DO ENSINO
Para que fique claro, confesso que ainda não consegui ter uma ideia clara sobre a actual Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Isto é: a sua actuação fundamenta-se numa ideologia possidónia (como o Primeiro-Ministro, o Ministro da Finanças, ou o colégio de comissários da União Europeia) ou assenta numa visão correcta das necessidades reais do estado a que o ensino chegou? Ainda não entendi, mas o futuro próximo no-lo dirá.
Porém qualquer coisa lucila quando se toca no sistema de avaliação dos professores. Se é certo que vejo com preocupação o encerramento dum número tão elevado de escolas (1500 em 2007) ou a avaliação dos professores por parte dos pais (que no todo nacional, roçam o pouco menos que o analfabetismo) também vejo com alguma esperança, a formação, para melhor, dos novos professores.
Para tal é imperioso que os alunos tenham boa formação desde a Escola Primária até à Universidade. Não podemos mais tolerar que se chegue à Universidade - e dela se saia - sem saber a tabuada e a dar gravíssimos erros de Português. Aliás para qualquer área do saber é indispensável dominar bem a Língua Portuguesa, tal como diz o meu grande Amigo e linguista José Neves Henriques em artigo publicado no Boletim da Sociedade da Língua Portuguesa, onde põe o dedo na ferida, como no caso do professor de Matemática que tem de saber explicar aos alunos o que é um axioma, indo mesmo ao étimo do vocábulo; pois só assim, diz, "a língua penetra na alma do Homem e, fundindo-se com o seu pensar e sentir, leva-o à criação que deslumbra, tal como a água penetrando na semente lançada à terra".
É isto que os responsáveis pelo sistema de ensino, devem ter em conta. É isto que se exige do Ministério da Educação (e que antes deveria ser da Instrução, já que educação é outra coisa).
Para termos bons matemáticos, bons engenheiros, bons médicos, bons biólogos, bons físicos, bons químicos, bons investigadores, etc., é condição primeira conhecer e dominar bem a Língua Portuguesa, tal como se faz nos outros países. Ora, para atingir estes objectivos, temos que, desde o primeiro ano de escolaridade até ao último ano da Universidade, implementar JÁ um excelente programa do ensino da Língua Portuguesa. E isto passa, não o esqueçamos, pela leitura obrigatória dos nossos melhores escritores clássicos: Gil Vicente, Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda, António Ferreira, Luis de Camões, João de Barros, Damião de Gois, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Rodrigues Lobo, Padre António Vieira, Luis António Verney, Bocage; ou da Época Contemporânea: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, e muitos outros. São estas as grandes referências que enriquecem o vocabulário dos jovens, lhes dão a perceber como se controem as frases e os leva a entender melhor como se estrutura um texto. Depois, depois da Universidade, é o estudar contínuo, já sem a ajuda do professor...
Para terminar: sei de professores que dão graves erros de Português. Justificam-se dizendo que não são professores de Português, mas sim de Matemática, Geografia, etc....... Sem comentários. Isto assim não pode continuar.
acs
terça-feira, junho 27, 2006
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4 comentários:
Que é verdade que muitos licenciados dão erros de palmatória na sua própria língua é verdade ; também é verdade que muitos também não sabem falar tendo em atenção as suas habilitações literárias. É só ler e ouvir a comunicação social. Urge pois corrigir urgemntemente este problema nacional.
Estou de acordo com o problema que levanta.
Não raras vezes , na Universidade, surgem estudantes que reclamam por serem desclassificados pelos eros ortográficos que cometem nas provas e trabalhos. Dizem eles: Não estou a fazer prova de Português!
E esta ?.
O caminho é exigir o conhecimento e domínio da língua materna.
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